segunda-feira, 5 de junho de 2017

quatro e meio




escrever para não esquecer.

aos quatro anos e meio ele:
+ deixou de dormir a sesta (por decisão unilateral do pai numa manhã de 2ªf , meio à pressa na urgência das entregas matinais e após vários pedidos do miúdo). ao fim de duas semanas o balanço é positivo, adormece mais depressa à noite e acorda mais tarde de manhã. está mais cansado ao final do dia, é notório, chegou a adormecer no carro no regresso a casa e no chão da sala um dia. cresceu mais um bocadinho;
+ começou a ser mais crescido, nas conversas, nas expressões usadas, nos pedidos, tudo é mais crescido;
+ está mais responsável, é frequente ouvi-lo a dar lições de moral ao irmão e a dizer 'não podemos fazer isto, pois não, mãe?' ou 'não é só pedir desculpa, também é conversar.';
+ já sabe tomar banho sozinho mas continua a preferir companhia e brincadeiras nesta hora;
+ veste-se sozinho mas é como o banho, prefere companhia e ajuda;
+ é muito comichoso com as pregas das meias, às vezes tira os sapatos três vezes, num drama enorme, porque a meia está torta e magoa;
+ está sempre a escarafunchar as unhas dos pés;
+ continua enérgico e físico, às vezes faz lembrar aqueles cães patetas que ficam excitadosdemais quando vêem os donos ou uma bola;
+ confundo o amigo tomé com o amigo lucas... pudera eles são mesmo parecidos (loiros e de olhos azuis, os únicos assim);
+ fala muito nos primos - 'os meus pimos' - e pede a toda a hora para ir brincar com eles, mas a maria e o xico continuam a ter um lugar de eleição no seu coração;
+ diz que é do benfica, mas também da frança ou da espanha, depende dos dias. diz que gosta um bocadinho do sporting para a mãe não ficar triste;
+ na escola têm-se dado com os mais velhos e isso nota-se nas atitudes e conversas, além do 'cocó, xixi, pum' da praxe;
+ fica contente e muito feliz com coisas muito simples, como um gelado , uma t-shirt ou uma visita a casa da avó;
+ sente saudades do pai quando ele está fora mais tempo e quer sempre saber onde ele está e com quem;
+ está muito preguiçoso para aprender a andar de bicicleta (sem rodas). em três meses só experimentou duas vezes;
+ adora gelados, sanduíches feitas pelo pai de manhã, cerejas, melancia e bolachas da avó;
+ diz que gosta água com picos (água com gás) - 'já posso beber isto, não posso mãe?';
+ quer ver desenhos animados de crescidos, como power rangers, pokémons e afins e só vê os outros por causa do irmão;
+ fica triste e isolado quando sente que é alvo de injustiça;
+ ainda pede colo.

por muitas guerrilhas que existam no dia-a-dia, é notável vê-lo crescer e ganhar o seu espaço e personalidade. 



sexta-feira, 19 de maio de 2017

19 maio :: 1 ano


há um ano a minha vida mudou para sempre.

querido pai, se soubesses a saudades que eu tenho tuas.
da tua voz do outro lado da linha num qualquer país distante e com falhas de rede, da maneira como falavas com os teus netos, o tom de voz feliz que usavas para os fazer rir. 
as tuas mãos. consigo ver as tuas mãos tão bem, como se lhes tivesse pegado ontem.
sento-me no teu lugar à mesa, na casa que foi tua, porque assumi para mim esse lugar que ninguém quis ocupar, por medo e tremo de cada vez que o faço.
ainda não consegui ir à casa do alentejo, que sei ser o teu sonho.

mas passou um ano e fomos à comporta, a tua praia preferida e onde, ao largo, repousas.

é dura, muito dura a tua ausência. e eu estou triste porque não a resolvi, porque não arrumei as ideias nas gavetas certas e porque (ainda) não chorei a tua perda. fico zangada porque não estás a um telefonema de distância. fico zangada por ser dona legítima de três casas, fico zangada por ter dinheiro no banco e fico zangada por não conseguir ouvir esta música da adele

não quero nada disto, quero apenas pegar no telefone e saber que vais atender do outro lado. 

quinta-feira, 11 de maio de 2017

moedinha nº1



«... tenho ideia que num primeiro filhos nós somos sempre piores pais.»

esta entrevista, que adorei ler, deu-me que pensar em relação à minha moedinha nº1.
este miúdo giro que me tira do sério como ninguém, que me faz ser melhor e menos boa, que leva comigo e me atura o mau humor só porque está ali mesmo ao lado e o pai está fora muitas vezes.
este meu amor primeiro e enorme.
e tudo o que ele quer é colo: 'sabes, mãe, podemos fazer como naquela outra noite em que me deste colinho?', perguntou ele ontem, referindo-se à noite anterior em que o deixei ficar mais de meia hora sentado ao meu colo enquanto estava sentada no chão, à beira da cama do irmão para o adormecer. é isto. só isto. colo.
que não estraga, eu já sabia. que não é demais, eu já acreditava pela quantidade de mimo e amor que lhes dou, pelas nódoas na roupa, pelas pedras e areia que trazem nos sapatos, pela facilidade com que se entregam às poças de chuva e de lama e agarram aos paus.

és feliz, tenho a certeza.
e eu contribuo para isso e, mais importante, faço parte disso. não me posso esquecer disto. 


terça-feira, 2 de maio de 2017

tirada #20

francisco ao meu colo, a ver atentamente os sinais do peito e dos braços:
- 'qué ito?'
- são sinais...
- bolinhas...
- sim.
- como o 'leopádo'.
- achas que a mãe é um leopardo? (e faço uma cara provocadora.)
- nah...
e sorri decidido.
- a mãe é uma 'caba'! (aka cabra)
e faz o sorriso mais malandro de sempre.

ps: isto tem um enquadramento - a história das três cabras, a grande, a média e a pequena, que querem atravessar uma ponte onde está um troll.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

trem bala


não é sobre ter
todas as pessoas do mundo pra si
é sobre saber que em algum lugar
alguém zela por ti
é sobre cantar e poder escutar
mais do que a própria voz
é sobre dançar na chuva de vida
que cai sobre nós

é saber se sentir infinito
num universo tão vasto e bonito
é saber sonhar
e, então, fazer valer a pena cada verso
daquele poema sobre acreditar

não é sobre chegar no topo do mundo
e saber que venceu
é sobre escalar e sentir
que o caminho te fortaleceu
é sobre ser abrigo
e também ter morada em outros corações
e assim ter amigos contigo
em todas as situações

a gente não pode ter tudo
qual seria a graça do mundo se fosse assim?
por isso, eu prefiro sorrisos
e os presentes que a vida trouxe
p´ra perto de mim

não é sobre tudo que o teu dinheiro
é capaz de comprar
e sim sobre cada momento
sorriso a se compartilhar
também não é sobre correr
contra o tempo pra ter sempre mais
porque quando menos se espera
a vida já ficou p'ra trás

segura teu filho no colo
sorria e abrace teus pais
enquanto estão aqui
que a vida é trem-bala, parceiro
e a gente é só passageiro prestes a partir


it's never too early to teach kids about consent

o joão tem, ultimamente, chateado bastante o irmão. agarra-o, espreme-o (raramente de forma amorosa), empurra-o, tira-lhe brinquedos e faz-se valer do tamanho e força maiores para o subjugar.
eu não gosto de ver, não gosto de ouvir os guinchos do mais pequeno e tento, a palavra é mesmo esta porque muitas vezes não consigo e a voz e o tom saem errados, dizia eu, tento dar-lhes instruções positivas, tendo guiá-lo sobre o que está a acontecer, do género: 'achas que ele está a gostar do que estás a fazer? quando ele está a chorar é porque não gosta.' ou 'gostavas que te fizesse isso=?'. 
o problema é que muitas vezes, já o admiti, não consigo dizer isto de forma pausada e construtiva, sai tudo a correr num tom acusatório e, claramente, não serve. 
hoje li este artigo e achei muito interessante as questões e, principalmente, as soluções apresentadas. como diz, e muito bem, são pequenas mudanças na abordagem e na linguagem que fazem a diferença e, com a preocupação que vou tento de os ver crescer - ando a ver a série '13 reasons why' e tem sido difícil digerir tudo aquilo - parece-me oportuno explorar estes assuntos. os dos consentimento+respeito, claro, não o suicídio e abuso na adolescência. lá chegarei...
«(...) it’s never too early to teach kids about consent. Here are five ways I’ve tried to show them how to respect themselves and others…
YOU’RE THE BOSS.

We often tell our boys that they’re the boss of their bodies — I love that it’s a clear, age-appropriate phrase (every kid understands the concept of boss!). If Toby wants privacy while getting dressed, I’ll say, “For sure, you’re the boss of your body.” If Anton doesn’t want to kiss grandma, I’ll say, “You’re the boss of your body; it’s up to you.” If they’re playing with another child who doesn’t want a hug, I’ll remind them, “He’s the boss of his body, you need to stop.” You can see how empowered each child feels — especially three-year-old Anton, who, as the little brother, is quite literally not the boss of anything else. :)

DON’T POUT.

The feminist writer Jessica Valenti, author of Sex Object, recently told me this eye-opening tip: “It’s important to normalize a healthy reaction to the rejection of affection. So, if I ask my daughter for a kiss on the cheek and she says not right now, I smile and say, ‘Okay!’ I want her to know that the appropriate reaction to saying ‘no’ to physical affection is saying fine and moving on. Not a guilt trip, not anger, not sulking.” It was a lightbulb moment. Before, when Anton didn’t want to cuddle, I’d playfully pout and beg for kisses — now I respect his decision and move on.

THERE ARE DIFFERENT WAYS TO SAY NO THAN JUST SAYING NO.

We have a great, straightforward children’s book called No Means No. But people don’t always have to say no in order to mean no. I encourage the boys to notice social cues and watch people’s body language — does it seem like the baby likes it when you squeeze her? Her face looks upset. That means you need to stop right away.

ASK FIRST.

My friend in San Francisco regularly tells her children, “It’s time to go. Do you want to ask Jenna if she’d like a hug or high five?” By phrasing it as a question, she lets both children decide if they want to embrace — or not. Those small linguistic changes can seem inconsequential, but think how much they might shift your perspective as you grow up into a pre-teen, teenager and adult — and when it comes to hooking up and sex. Now I’ve adopted her approach, too.

TALK OPENLY AND STRAIGHTFORWARDLY ABOUT BODIES, GROWTH, SEX, ETC.

I try to never seem grossed out or shy about anything to do with the boys’ bodies or mine. (For example, they’ve asked about my tampons on the bathroom counter, and I tell them matter-of-factly what they’re for.) By learning the correct words for their body parts, they’re empowered and able to speak directly about them, and they know they can come to me with questions and get an honest answer. My mom had the same approach when we were growing up, and I always felt so comfortable talking to her about anything that was on my mind.»


quarta-feira, 26 de abril de 2017

'cucudilu'


remonta ao carnaval mas encontrei esta fotografia enviada pela escola e apeteceu-me pô-la aqui para animar esta 4ªfeira que está cinzenta e com sabor a 2ªfeira.