quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

é uma idade extraordinária

«Depois da exuberância dos 2 anos de idade, os 3 chegam com outro tipo de desafio.

São birras diferentes, que nos mostram, na maior parte dos casos, uma criança bem mais frágil e, simultaneamente mais agressiva.
Muitos pais questionam-se acerca da auto-estima da criança e fazem bem porque ela começa a ganhar uma consciência de si mais forte e, ao mesmo tempo, sente as emoções à flor da pele mas ainda não sabe lidar com a avalanche daquilo que sente e que lhe acontece.
Esta é, por isso, a altura ideal para começar a trabalhar não só a questão da auto-estima como também a literacia emocional.

Aqui ficam algumas dicas:
1. Quanto mais experiências positivas a criança tiver, mais forte será a sua auto-estima. E atenção - como positivas eu não quero dizer boas. A experiência pode ser má mas a forma como a criança vai olhar para ela (e aqui entramos nós para a encaminhar nesse olhar) fará dessa uma experiência positiva, entendes?

2. Literacia emocional - no meu livro Criança Felizes - o guia para trabalhar a autoridade dos pais e a auto-estima dos filhos, dedico um capítulo inteiro a este assunto. O que é a inteligência emocional? É a arte de tomar as melhores decisões. E nós só tomamos boas decisões quando sabemos o que sentimos porque todas as decisões são emocionais. Inteligência emocional é gerir as emoções porque não escolhemos o que sentimos mas podemos escolher a forma como reagimos ao que sentimos. E sim, claro, já estás a ver onde entra a literacia - é dando nome ao que sentimos que estamos a dar o primeiro passo para a gestão. Pega no livro e aproveita para trabalhar este tema com os teus filhos! Tão essencial!

3. Aos 3 anos é normal os miúdos choramingarem por tudo e por nada. Literalmente! Respira! Faz parte. E agora que sabes que faz parte, vais ajudá-lo. Como? Acolhendo os sentimentos e depois pedindo que te peça o que deseja num outro tom de voz.

4. Aos 3 anos é normal os miúdos preferirem uns tempos o pai e depois só a mãe. Não leves a peito, é mesmo assim. Eles estão a lidar com emoções tão intensas que numas fases sentem-se mais protegidos com um do que com outro. É com eles, não tem nada a ver contigo.

5. Aos 3 anos é normal a criança estar mais agressiva e zangar-se com facilidade. Diz-lhe que não deixas que ele te faça mal, nem ao mano. Acolhe as emoções e ajuda-o a ter outro comportamento. Diz-lhe, com todas as palavras, o que se espera e o que não se pode fazer, como morder. Aliás, o morder pode voltar a aparecer nesta idade. Porquê? Porque tem a ver com a intensidade daquilo que ele sente E também com a incapacidade que o teu filho ainda pode ter em exprimir-se. Diz-lhe que não se faz e sempre que vires que pode voltar a acontecer, muda-o de sítio ou de brincadeira. Não deixes a situação descarrilar. Prometo-te uma coisa: passa.

6. Aos 3 anos é normal os miúdos terem muitos amigos. Estão a descobrir quem são. Promove as amizades.

7. Aos 3 anos os miúdos começam com muitos porquês. Ainda não entraram a sério na idade de quererem mesmo explorar mas adoram fazer perguntas e falar - a linguagem é agora uma grande aquisição. Explora tu isso, também!

8. Aos 3 anos os miúdos têm uma fragilidade óbvia. Dá-lhes mimo e colo sempre que te for possível e lembra-te sempre disto: mimo a mais não estraga. O que estraga é a falta de limites. Aos 3 (e em todas as idades) eles precisam de mimo mais do que nunca porque se estão a descobrir, porque estão a descobrir quem são e o que sentem. E precisam mesmo muito que os acompanhes nesta fase.

É uma idade extraordinária!»

depois da reunião com a educadora no início da semana, ler isto fez com que as peças do puzzle se encaixem ainda mais. 
ele precisa de colo, precisa de mimos, precisa de ter a certeza absoluta e inabalável que eu e o pai gostamos dele e vamos estar sempre ao seu lado, seja para lutar com os super-heróis e construir pistas de comboios, seja para ensinar a comer com os talheres, seja para dizer pela centésima vez que não se pode deitar em cima do irmão (pelo menos enquanto ele for bebé).
e sim, é muito chato, pedires tudo a choramingar, mas eu gosto de ti à mesma. 




segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

as eleições presidências aborrecem-no



adormeceu assim, em menos de dois minutos, enquanto víamos as primeiras reacções aos resultados das eleições presideciais. 
num instante estava deitado com o pai, a olhar para o vazio. nem dei por ele mudar de posição, e de repente lá estava, completamente sereno, a dormir assim.

este inverno, quente e estranho, está a ser chato para febres e ranhos e tosses. depois da aventura do mais pequeno, em vésperas de natal, todas as semanas algum fica de molho. entre mãe e pai, lá se vão uns dias de férias e pouco trabalho, principalmente quando é o mais novo em casa, não dá descanso. 

há duas semanas foi uma ruptura de conduta de água, escola fechada. a semana passada febre do francisco, esta semana febre do joão. dois domingos de sol e calor ( repararam que ontem estavam 22 graus?!) e nós retidos.

vírus, viroses e todo e qualquer parente destas bichezas ide à vossa vida bem longe daqui, se faz favor. é que eu gostava mesmo de usar os dias de férias de outra maneira mais divertida e interessante. 

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

roda viva



'mamã, tu é muito linda' ou 'mamã, tu é muita quida' + pequeno almoço de gente grande (iogurte, aveia, morangos e mel) = tenho um rapazola cá em casa, meio estabanado, meio querido, que me tira do sério e me faz gritar e levantar a mão em desespero de causa quando entala o irmão na porta do quarto, mas que toca nos recantos mais profundos do meu coração e eleva o amor a um nível estratosférico. 
gosto tanto de ti, meu joão. 

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

suficiente

«à noite, quando me deito na cama e faço contas ao meu dia, percebo que na maior parte do meu tempo sou mãe. é um facto: entre o tempo que ajudo um a sair de casa, o tempo em que arranjo e levo o outro, as compras, as refeições, as marmitas, a roupa e a casa por arrumar, os banhos, os trabalhos de casa, a história antes de dormir e as rotinas de deitar. trabalhar em casa faz com que tudo se confunda: escrevo um texto e vou arrumar, escrevo outro texto e adianto o jantar, estou a pesquisar um assunto e ouço a máquina que acabou de lavar. ter tempo é muito bom. ter tempo para os meus filhos é compensador e tranquilizante. e faz-me muito feliz. mas [aquelas três letras que detesto] há dias em que me questiono se será suficiente, se serei suficiente, se terei valor para além desta missão de estar presente e constante na vida dos meus filhos. há exactamente um ano [Janeiro é sempre um mês lixado] procurei um emprego a tempo parcial que me ajudasse nas contas. foi muito desafiante, aprendi imenso, senti-me útil e valorizada. mas [lá vem o “mas”] ressenti-me muito em termos de disponibilidade porque, para além do emprego mantive todos os trabalhos que faço em casa. uns meses depois o G. disse-me que sentia a minha falta. e eu, incapaz de dar conta de tudo, aproveitei a palavras dele para ter coragem para tomar a decisão que adiava. Janeiro voltou e os medos e as angústias voltaram também. ontem, entre a roupa que pus a lavar, a roupa que estendi, os textos que terminei, o almoço e o jantar, as compras do que faltava, a fruta que descasquei e os  e os vários pães que barrei com manteiga debati-me entre a sensação que estou completa e feliz e este vazio que talvez não seja suficiente.»

a minha resposta:o que eu tenho a certeza é que eu não conseguia ser só mãe, não conseguia só tratar da casa e da roupa e das compras e da família, não sendo este só, uma desvalorização destes trabalhos incríveis. o só vem porque realmente para mim é preciso mais, preciso de mim e das minhas coisas, do meu trabalho ou hobbys ou o que lhe quiserem chamar. não consigo ser só a mãe, preciso da filha, da mulher e da amiga e de todas as outras eu. e tenho outra grande certeza, para não usar aqui o mas: gostava muito de trabalhar menos horas, num equilíbrio muito mais saudável de todos os meus eus.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

ordem de soltura










uma semana depois de termos entrado no hospital, depois do natal e dos devidos dias de recolhimento, decidi(mos) aproveitar o único dia de sol destas semanas e rumar ao alentejo para almoçar.
desde a gravidez do francisco que me apetecia comer migas por isso pareceu-me justo comemorar a rápida recuperação do miúdo com um belíssimo prato de migas.
para desmoer e fazer alguma fotssíntese fomos até ao clássico jardim municipal.

adoro o francisco com o gorro do irmão.
adoro o meu namoro pegado com o francisco (créditos do avô).
adoro o joão a explicar-me desenhos no chão.
e adoro o facto de termos fotografias a quatro.

domingo, 10 de janeiro de 2016

tirada #5

- a mãe é muito linda.
- e o pai?
- o pai é enfegas.


o primeiro natal do francisco






em poucas palavras, foi perfeito.
atentem que o joão estava de calções, o inverno está maluco + para quem tinha saído do hospital < 24h o francisco está com óptimo aspecto + o enquadramento da nossa fotografia é mauzito mas a culpa não é minha.

ps: há dezenas de outras fotografias que não podem ser vistas aqui... ficam para nós.

sábado, 9 de janeiro de 2016

1 ano {a celebração}









lá está, primeiro de janeiro já ninguém tem saco para festas mas aqui estamos nós, no primeiro aniversário do nosso querido francisco.
notem bem as caras de cansados, as olheiras e a vontade de sorrir para as fotografias...

mas lá se compôs uma bonita celebração, com balões escolhidos a dedo na véspera pelo joão, bolo fantástico feito por mim (há qualquer coisa mais forte que eu que me impede de comprar os bolos de aniversário dos miúdos. influências de super-mãe que sempre fez as nossas festas em casa e foram pelo menos 45!), casa cheia (vantagem de ter cá os emigrantes) e muita conversa.

foi bom, muito bom, mesmo. obrigada diogo por insistires nisto, apesar da minha (aparente) inércia. ainda consegui fazer um bolo com buttercream pela primeira vez na vida e estava bem bom.

as camisolas deles foram um mimo do pai, trazidas de nyc e aguardavam ansiosamente o dia de sairem da gaveta, dia 1 foi o dia. aliás, como manda a tradição, estamos todos com roupa nova, ou alguma peça de roupa nova, pelo menos. eu tenho uma mini saia como acho que nunca usei e um baton igualmente inédito. sim, há baby hair e eu odeio e sim, houve alguém que desencatou umas máscaras de pirata. 

foi muito boa, a celebração desta vida e é um pontapé de saída incrível para o ano de 2016.


tirada #6

às 7h30, enfiado na nossa cama depois, estica o dedo para cima e rebola os olhos:
-' sabes o que é que ainda não acabou? sabes?'
- 'o quê, joão?'
- 'o filme dos legos.' (se soubesse aposto que fazia um riso maquiavélico)

ps: era o filme que estava a ver ontem antes de ir dormir.

tirada #5

ao ver que está a chover quando estamos para sair do carro, ele diz:
-' ah, vamos ter que arranjar outra maneira de tirar os miúdos daqui.'


terça-feira, 5 de janeiro de 2016

3 ways to make a fresh start


«Start with coffee. And a plan.

I envisioned bringing in the New Year with a spick and span house and everything in order. Of course, that didn't come to fruition and that's ok. I find myself attempting to reach that point of completion, where everything is clean and in its place, only to realise that it's a lofty goal and perhaps, one not suited to life with three young children. Our home is in a constant state of flux - jobs finished only to be undone within the hour. It's a dangerous ride if I wrap my emotions and ego up in those jobs because the undoing leads to frustration, disappointment, anger and a general sense of being entirely fed-up. It's not pretty and to be frank, not worth it. It is only housework, after all. 

I've come to the conclusion that I don't want to spend all my time cleaning and tiding and running in a perpetual circle for the next ten years of my life. It doesn't sound appealing and it most definitely isn't inspiring. So, I'm doing what I can, with the time that I have - it isn't perfect but it's relatively done. This new way of thinking goes against all my homemaking ideals but to quote the insightful Ms Gilbert in Big Magic: "Done is better than good." It's a damn good adage for this recovering perfectionist to hold dear.
There have been a few things that I've put to the top of my list over the last few days that have ensured this year (and this home) is off to a fresh enough start for 2016 - small jobs that make a big impact on my day-to-day. Want to join in? It doesn't take long! In fact, it takes less than an hour!

- clear your entryway (15 minutes). Renowned for being a dumping ground for all kinds of paraphernalia, the entryway is the first area in my home to start looking cluttered and messy. It's also the first thing I see when I arrive home and being greeted with such mess doesn't always make for the happiest of homecomings. So, I took to it with vengeance and put everything back in its place - shoes in the basket, hats on the rack, bags in the basket, books back to their rightful shelf and a quick dust and straighten-up.

- sort through your handbag (10 minutes). If your bag resembles a Mary Poppins tote you're not alone. The amount of stuff I was carrying around in my bag (this one for those interested) was nothing short of alarming. There was everything from sequinned cat's ears (dance concert) to teaspoons and a range of hair clips, receipts, pens, bank books and hand creams in between. Then of course there's always the nappy bag which saves me on many occasion. To begin, I sorted out my wallet (receipts for tax, receipts for the bin) and then worked my way through everything else, replenishing the essentials in the nappy pouch, too.

- clean the car (30 minutes). This is a great job to add to the "pocket money job list" if you have a child old enough. I begin by sending Che and Poet out to the car with an empty washing basket. It always, without fail, comes back brimming with stuff. If your children are anything like mine, even the shortest car trip requires books, beloved-can't-leave-anywhere-without-them toys and a range of clothing options in case the weather turns. Once that job is complete (and everything from the basket is in its rightful place) I tackle the car with the vacuum cleaner. As I bend my way around the car seats in the back (it's a tight squeeze with three!) I always, without fail, have trouble comprehending the filth of it all. This diagramwill resonate with many of you, I'm sure. Nappy wipes over the dash and in the coffee cup holders ensures the surfaces are good for the next month or so.»


Concordo tanto com os primeiros parágrafos. Entra como resolução minha, fruto destas duas semanas em casa.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

20h13

já jantamos e estou a arrumar a cozinha enquanto eles brincam na sala com o novo comboio. 

uma hora mais tarde já adormeci o mais novo e o pai ainda não conseguiu adormecer o mais velho. 

duas horas mais tarde todos os rapazes dormem e estou sozinha a ver televisão. e já pintei as unhas. 

olá segunda-feira. 

sábado, 2 de janeiro de 2016

bom ano. ano bom.

há muita coisa em atraso nesta barraca, muita coisa para escrever, contar, deitar cá para fora, partilhar, pensar ainda mais sobre mas acima de tudo guardar.

mas para já ficam as primeiras palavras deste ano: que seja bom, bom em todos os sentidos de bom. bom amor, bons filhos, bom marido e boa mulher, boa família e bons amigos, boas risadas, bons passeios, bons abraços, bons convívios, bons beijos, bons mergulhos, boas viagens, boas descobertas, bons repastos, boa vida.

a todos, vida boa.