quarta-feira, 23 de novembro de 2016

carta de amor aos 4 anos



meu amor joão,
meu primeiro filho amor,
meu bichinho.

meu, meu, meu e meu. 

é esmagador como te amo cada vez mais, a cada dia que passa há qualquer coisa nova que me faz gostar mais de ti, por te ter criado e ter feito nascer, por te ver crescer e ocupares cada vez mais espaço - físico e mental - na minha, nas nossas vidas.
ver-te crescer e formar, uns dias bem disposto e fácil, outros dias virado do avesso, ver como reages à vida e ao mundo, ver-te reproduzir o que te ensinamos, ver-te a disparatar, a dar e pedir beijos ao mano, a abraçares a mãe-princesa, a pedires ao pai para brincar às espadas. ver-te feliz com os primos-amigos, ver-te com sono e a cara esborrachada no sofá, ver-te aos pulos na piscina ou na praia e ver-te sozinho a brincar com os carros da polícia. ver-te a superar mais um desafio no parque infantil ou a saltar mais longe e mais alto. só ver-te já é uma dádiva incrível.
somar a isso todos os beijos e cheiros é a lotaria.

meu amor joão,
meu primeiro filho amor,
meu bichinho.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

os clandestinos da vida


ontem fui jantar fora com uma amiga. 
numa jornada inédita, saí do trabalho, fui pintar as unhas de preto e fui ter com ela à zona do intendente/martim moniz. 
eu com sapatos de verniz, ela de all star, as duas de preto e branco e cheias de novidades boas para partilhar.
as escadas sinuosas e tortas, as paredes todas autografadas, subimos ao segundo andar porque o restaurante do segundo andar é melhor do que o do primeiro (!). é espantoso como em 2016, no epicentro cultural e étnico de lisboa existe um prédio com DOIS restaurantes chineses clandestinos. 
gostei da comida, do ambiente misturado de estrangeiros e clientes habituais, gostei da simplicidade das mesas e do serviço. gostei da comida. 
acima de tudo gostei da conversa. falámos tanto e tudo. coisas felizes, coisas menos felizes, coisas más. e percebi que do outro lado da mesa está alguém de quem gosto muito, uma amizade nova mas que é boa e que tanta falta me fazia.

obrigada, i., pelos abraços, pela partilha e por me teres levado a um clandestino.

ps: os putos ficaram com o pai, que pelo meio convidou um amigo para jantar, o mesmo que andamos a tentar juntar com esta amiga. ao chegar a casa e vê-lo a arrumar a cozinha, apaixonei-me novamente.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

tirada #15

- joão, veste o casaco para não teres frio, sff.
- porquê, mãe? fico roto?

nota: ele queria dizer rouco, que na realidade já o está.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

a minha mãe a construir (novas) memórias do meu pai

«bom dia,
faz muitos e muitos anos  (41) hoje, que o vosso pai estava muito contente, pois o país dele tornou-se independente.
grandes ilusões e desilusões.
bjos
mãe»

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

os pais vistos pelo código civil

como sou teimosa e ando a pesquisar legislação para esclarecer uma coisa, dei por mim a ler o código civil - decreto-lei nº 47344/66, de 25 de novembro - e as suas 69 actualizações até à data. a última é de setembro de 2015, já deve estar a caducar, também... adiante. 
comecei eu a ler este monumental conjunto de páginas que rege a nossa vida civil e dei de caras com estas preciosidades:

Artigo 1874.º - Deveres de pais e filhos
1. Pais e filhos devem-se mutuamente respeito, auxílio e assistência.
2. O dever de assistência compreende a obrigação de prestar alimentos e a de contribuir, durante a vida em comum, de acordo com os recursos próprios, para os encargos da vida familiar.

Artigo 1877.º - Duração das responsabilidades parentais
Os filhos estão sujeitos às responsabilidades parentais até à maioridade ou emancipação.
Artigo 1877.º - Duração das responsabilidades parentais
Os filhos estão sujeitos às responsabilidades parentais até à maioridade ou emancipação.
Artigo 1878.º - Conteúdo das responsabilidades parentais
1. Compete aos pais, no interesse dos filhos, velar pela segurança e saúde destes, prover ao seu sustento, dirigir a sua educação, representá-los, ainda que nascituros, e administrar os seus bens. 
2. Os filhos devem obediência aos pais; estes, porém, de acordo com a maturidade dos filhos, devem ter em conta a sua opinião nos assuntos familiares importantes e reconhecer-lhes autonomia na organização da própria vida.
Artigo 1879º - Despesas com o sustento, segurança, saúde e educação dos filhos
Os pais ficam desobrigados de prover ao sustento dos filhos e de assumir as despesas relativas à sua segurança, saúde e educação na medida em que os filhos estejam em condições de suportar, pelo produto do seu trabalho ou outros rendimentos, aqueles encargos.

Artigo 1879.º - Despesas com o sustento, segurança, saúde e educação dos filhos
Os pais ficam desobrigados de prover sustento aos filhos e de assumir as despesas relativas à sue segurança, saúde e educação na medida em que os filhos estejam em condições de suportar, pelo produto do seu trabalho ou outros rendimentos, aqueles encargos.
Artigo 1882.º - Irrenunciabilidade
Os pais não podem renunciar às responsabilidades parentais nem a qualquer dos direitos que ele especialmente lhes confrere, sem prejuízo do que neste Código se dispõe à cerca da adopção.
Artigo 1885.º - Educação
1. Cabe aos pais, de acordo com as suas possibilidades, promover o desenvolvimento físico, intelectual e moral dos filhos.
2. Os pais devem proporcionar aos filhos, em especial aos diminuídos física e mentalmente, adequada instrução geral e profissional, correspondente, na medida do possível, às aptidões e inclinações de cada um.
Artigo 1886.º - Educação religiosa
Pertence aos pais decidir sobre a educação religiosa dos filhos menores de dezasseis anos.
Artigo 1887.º - Abandono do lar
1. Os menores não podem abandonar a casa paterna ou aquela que os pais lhes destinaram, nem dela ser retirados.
2. Se a abandonarem ou dela forem retirados, qualquer dos pais e, em caso de urgência, as pessoas a quem eles tenham confiado o filho podem reclamá-lo, recorrendo, se for necessário, ao tribunal ou à autoridade competente.
Artigo 1887.º -A - Convívio com irmãos e ascendentes
Os pais não podem injustificadamente privar os filhos do convívio com os irmãos e ascendentes. 
Artigo 1917-º - Alimentos
A inibição do exercício das responsabilidades parentais em nenhum caso isenta os pais do dever de alimentarem os filhos.
Artigo 2003.º - Noção (de alimentos)
1. Por alimentos entende-se tudo aquilo que é indispensável ao sustento, habitação e vestuário.
2. Os alimentos correspondem também à instrução e educação do alimentado no caso de este ser menor.
ora toma, que podem ameaçar à vontade sair de casa que estão proibidos, por lei, de o fazer. têm que aguentar com a comida que a mãe faz e as roupas emprestadas e sou eu e o pai que escolhemos se fazem natação, judo ou ballet.
sim, por muita vontade que (às vezes) tenha de vos rifar, estejam descansados! não o posso fazer, está escrito. e dêem-se por contentes por não vos puder separar também, às vezes dava jeito.