domingo, 23 de março de 2014

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"a portrait of my children, once a week, every week, in 2014."
joão: à espera do pai, no aeroporto

16M


 
+ tem mais dois dentes em cima, acho que são os incisivos e pela rabugice não deve ser pêra-doce;
+ reconhece o cavalo, o pato, o cão, o gato, o porco e a vaca e tenta fazer os sons deles;
+ adora o pai e diz clara e perfeitamente papá (e mamã, claro!); tenta dizer avó e outras coisas;
+ já reconhece vários objectos e rotinas: vai buscar os sapatos quando lhe peço (raramente traz os certos, mas isso não interessa nada), quando digo que é hora do banho, vai para a casa de banho e começa a encher a banheira de brinquedos, vais buscar o casaco e tenta vesti-lo quando digo que é para ir à rua e enche-se de luz quando pergunto pelo leite... ou pelo pai;
+ gosta de comer cereais ao pequeno-almoço, um a um;
+ se vê o prato antes de acabar de comer a sopa, entra em delírio+histeria+dança esquisita; a comida é um assunto muito sério para ele, chora mesmo, lágrimas gordas, quando está com fome e não vê a comida à frente;
+ deixou de comer banana, agora só vai disfarçada no iogurte;
+ já provou cabrito e gostou; já provou molho de ameijôas à bolhão pato e não gostou;
+ deu mais um pulo de crescimento e mais umas quantas calças e camisolas deixaram de servir;
+ já sabe brincar com carrinhos e com puzzles de encaixar. é espantoso vê-lo acertar em 16 animais seguidos!
+ já sabe dar beijinhos sem morder, mas é só quando lhe apetece;
+ adora brincar na rua e é muito decidido a andar;
+ já sabe perfeitamente que temos um parque infantil à porta de casa e quer sempre ir para lá;

nota de mãe babada: cada dia que passa, clichés dos clichés, gosto mais deste miúdo e faço questão de lhe dizer isto, todos os dias, olhos nos olhos.

sábado, 22 de março de 2014

[o melhor do meu dia]

estava a aconchegar-me na cama e lembrei-me da meia hora de ronha que tivemos hoje de manhã. 
sem pressas, sem pai, só nós. 
pela primeira vez aninhou-se comigo, em conchinha, e dormitamos os dois, na preguiça de começar a sexta-feira. eu já gostava de começar o dia devagar, levanto-me mais cedo para ter tempo para tudo, mas começar um dia assim gosto ainda mais. 
foram tão preciosos estes minutos de mimo que pensei várias vezes neles, fiz fotografias mentais que vou guardar por muito tempo. 
foi sem dúvida o melhor do melhor do meu dia. 

terça-feira, 18 de março de 2014

teté

ontem veio o caminho todo para casa, desde a creche, a chamar/perguntar pela teté.
é uma miúda adorável da turma dele, simpática até mais não, aquela que sabe os nomes deles todos e até já reconhece alguns dos pais. quando eu chego, chama pelo joão muito decidida. é tão gira!

quando cheguei à escola hoje, tinha acabado de se atirar para cima dela, a tentar apanhar um brinquedo qualquer. mas foi à bruta, estilo knot-out. avisei-o logo que só se pode atirar para cima das pessoas quando elas deixarem. mas é espectacular vê-los a interagir.

partiu

estes dias de ausência estão justificados.
partiu a minha única avó, a única bisavó do joão. dois meses, dolorosos e intensos e cansativos, depois de fazer 91 anos.
91 anos. uma vida enorme, comprida. um casamento tardio (para a época), o segundo casamento do meu avô (coisa estranha para a época), com enteadas quase da idade dela. uma filha - a minha mãe, três netos, dois bisnetos e o terceiro a caminho, fora os bisnetos peludos, como ela dizia, que eram os cães da minha irmã.
com um feitio tramado, soube dar muito a nós mas também consegui ser quase ruim e maldosa, principalmente nos últimos anos. não sei se era solidão, rancor de alguma coisa. não sei se era tristeza ou se o ser humano fica mesmo assim quando começa a ver o fim da linha. 

fez vestidos para mim e para a minha irmã, manguitos, colchas e toalhas. aproveitava tudo o que era trapo, reciclagem no seu expoente máximo.
fez milhares de biscoitos, croquetes e rissóis, pastéis de massa tenra e arroz doce, que decorava com paciência e jeito, torcendo os dedos cheios de canela, com uma letra linda, à antiga.
fez muitos versos para todos nós, os últimos sempre dedicados aos bisnetos.

adorava plantas e tomava conta delas como se fossem filhos. falava e acarinhava-as como nunca vi.

viveu sozinha, num terceiro andar sem elevador, até aos 91 anos. deu-nos vários sustos e foi várias vezes parar ao hospital, tal era a vontade de ficar na sua casa e lá morrer. só queria morrer em casa, na cama dela, não acordar.

recusou-se a chamar o joão pelo nome nos primeiros tempos. este nome fez-lhe feridas eternamente abertas no coração. mas a alegria e felicidade que o meu bebé lhe deu falou mais forte e passou de 'o menino' a 'o meu joãozinho'.

foi uma ajuda imprescindível para a minha mãe, enquanto nos criava sozinha. adoptou os meus primos como netos, também. é o que dá vir de uma família com muitos irmãos (já nem tenho a certeza de quantos, mas acho que foram mais que dez).

vi-a nos hospital pela última vez faz hoje uma semana. algo me dizia que seria a última vez. apertou-me as mãos com muita força, com a firmeza da despedida. fiz-lhe festas. tentei dizer tudo o que queria e podia para a tranquilizar, sabendo que ela sabia que estaria para breve. caíram algumas lágrimas e apertou-me mais as mãos. tentou tirar a máscara para falar. queria formalizar a despedida, acho que.
quando lhe disse que me ia embora para entrar a minha mãe, ela mandou-me embora com a mão, enxotando-me, como que a dizer 'vai em paz, filha, vai andando para a vida'.

estes últimos dias passaram a correr, de tão preenchidos. em menos de 48h estava tudo tratado e as cinzas descansam agora com o meu avó. fui forte, às vezes bruta, pela minha mãe.

não sei se vou chorar mais, mas já tenho saudades dela. 

domingo, 16 de março de 2014

11/52


"a portrait of my children, once a week, every week, in 2014."
joão: a primeira vez que andou num carrinho daqueles de moedas

segunda-feira, 10 de março de 2014

safou-se

não apanhou nada o tal vírus, a febre foi-se como veio, rapidamente.

fiquei/ficamos em casa a semana toda e até soube bem. pude namorar mais o filhote, enchê-lo de beijos e mimo, brincar no parque infantil, organizar papelada e até passear por campo de ourique, com direito a lanche e companhia do pai na 6ªfeira à tarde. soube tão bem.

hoje voltou à escola, depois do aval do pediatra. continua com a respiração sonora. 

será possível não me lembrar quantos dias era para tomar o antibiótico? é possível, sim. já procurei o papel da médica, já vi na caixa. a informação não está em lado nenhum. aliás sou tão novata nestas coisas que nem sei como funciona a baixa. se tenho que lá voltar, se preciso de mais um papel (o papel? qual papel?). a médica foi muito evasiva. não me encantou, não. e só de pensar em ir ao centro de saúde outra vez, gastar mais um par de horas, fico verde.