sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

[o melhor do meu dia]





depois de uma noite praticamente em branco, em que dormi ferrada das 22h30 à 1h30 APENAS e SÓ! e depois fui dormindo às mijinhas, o início do dia só podia ser com panquecas. 
à falta de um croissant quente (ando a babar pelos da choupana com nutella ou ovo e canela), tinha que remediar a noite e ingerir a energia toda para o dia inteiro que se apresentava. eu e o pai, que se deitou à 1h30 e diz que não dormiu a noite toda. eu ouvi-o ressonar, ai, perdão, respirar alto, mas ele diz que não dormiu.

entre gemeres e cólicas do mais novo e despertares nocturnos do mais velho foi mais uma noite de samba, que nos fez ficar de trombas e olhos revirados logo de manhã. tenho a sensação que o mini não pregou olho... como é que é possível aguentar-se, hum...?

as panquecas lá animaram a coisa, principalmente ao vermos o joão a lamber uma panqueca com doce de framboesa e a ficar com uns bigodes patuscos. este miúdo tanto nos tira do sério como, com aqueles olhos de jabuticaba e o melhor sorriso, nos amolece. 

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

irmão mais velho



ao fim de quase quatro semanas de ser mãe de dois filhos, muitas vezes ainda me surpreendo com esta realidade. 
seja porque o joão passa do dia na escola e tenho a casa só para mim e para o bebé, seja porque o bebé é genericamente sossegado e passa muito tempo a dormir e portanto consigo ter tempo a sós com o joão. estes dois factores têm se revelado importantes para a estrutura e sanidade mental desta família e desta casa, já que nos permite gerir melhor cada filho e cada momento do dia.

a prioridade para o mais velho foi e é manter as rotinas: escola, banho, refeições, natação, etc., de forma a minimizar o furacão que pode ser chegar um irmão às nossas vidas. temos conseguido até ir ao parque.
para o mais novo, obviamente que a prioridade é atender às suas necessidades básicas, que nesta fase se resumem a comer, mudar a fralda e dormir, o que tem sido fácil de executar. ou melhor, não há como não o fazer, quando ele tem fome chora, quando tem a fralda suja dá sinal e portanto é uma questão de tratar do assunto rapida e eficazmente de modo a não perturbar os ritmos da restante família. 

de uma maneira geral, o joão tem reagido muito bem ao irmão, pergunta por ele, quer vê-lo e mexer-lhe, dar beijinhos e festinhas e fica muito preocupado quando o ouve chorar, vai logo a correr buscar a chucha e o ó-ó. tem curiosidade em vê-lo mamar e dormir e ajuda a dar banho. até aqui tudo bem, excepto estar constipado e já ter passado o bicho do ranho ao pequeno. faz parte...adiante.

o que não está a correr tão bem é a relação dele connosco. a postura desafiadora ou frustrada que assume quando é contrariado. o choro sonoro e com lágrimas gordas a cair, os pesadelos, as noites cortadas a meio, o peso morto quando lhe queremos pegar, as fugas quando o queremos vestir. tem sido cansativo falar com ele, negociar, repetir as coisas dez, vinte, trinta vezes, e mesmo assim ele chora e grita e esperneia. 
às vezes consigo fazer com que me oiça, consigo acalmá-lo. outras vezes não e só me dá vontade de estrafegá-lo. nestas vezes começo por usar a força, em jeito de birra minha, mas rapidamente percebo que é escusado, que assim não vai funcionar. lá volto/voltamos à conversa, ao estado zen. afinal, somos nós os adultos. confesso aqui que temos contado até dez várias vezes, que nos tem apetecido dar-lhe umas palmadas e que o tom de voz sobe. é inevitável, ainda estamos verdes nesta coisa de gerir uma criança de dois anos, que ainda por cima tem um irmão bebé. oh, sorte macaca, pensará ele! 

quer eu, quer o pai, temos noção de como queremos lidar com estas situações. e temos sido uma grande ajuda um para o outro, dando apoio nas situações mais desafiantes. tem sido muito bom fazer este caminho a dois, sem dúvida. estamos a aprender muito.

a educadora diz que é perfeitamente normal o que está a acontecer e que faz parte, não só as birras e provocações, como também o pedir mais colo e estar mais inseguro. pois está bem, mas é cansativo. de repente, o filho bem disposto e descontraído fica possuído e atira-se para o chão em transe. não é nada fixe!
tenho mesmo é que pensar que é uma fase onde é preciso escolher bem as batalhas para se ganhar a guerra. defender com unhas e dentes os valores e regras que entendermos como importantes e, se calhar, relevar noutros aspectos menos preciosos. assim gerimos a energia de forma sustentável e responsável, temos menos stress e conseguimos sobreviver ao inverno. 




quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

francisco

já se impõe uma apresentação mais oficial do membro mais novo cá de casa.
está aqui, está a celebrar o primeiro mês e eu ainda não tinha vindo aqui dizer que ele existe. começa cedo a síndrome do segundo filho (fica prometido um posto sobre este assunto que tem que se lhe diga).

o francisco nasceu no primeiro dia do ano e por pouco era na primeira hora. passam 2h32 deste novo ciclo do calendário quando este texugo se mostrou, cinzento, viscoso e quente. foi tudo muito, muito rápido e inesperado. ok, eu sei que estava grávida de 38 semanas e que um bebé iria nascer dentro em breve, ok! o que quero dizer é que nenhum de nós, aliás ninguém espera que o bebé nasça na noite de passagem de ano, quando ainda não chegámos às sobremesas. já tinha sobrevivido ao natal e à maior parte da agitação da época festiva, estava mesmo na recta final e pimba! o rapaz acelerou, passou pela via verde e veio ao mundo logo da primera madrugada deste ano de 2015.

antes que perguntem, não é O bebé do ano, esse nasce sempre no norte e às 0h01. mas foi o primeiro bebé a nasce naquele hospital e obviamente que, para nós é O bebé do ano.

correu tudo bem, de tão depressa que foi nem tivemos propriamente tempo de assimilar as coisas. quando demos por ela estavámos já na sala de partos, com as horríveis e impessoais luzes brancas e o rapaz nos nossos braços. o pai, foram várias as peripécias que rodearam este parto, mas essas ficam reservadas para a nossa família. 

quero agradecer publicamente ao M.E.L.H.O.R anestesista de sempre e à querida enfermeira de óculos de massa, que me ajudaram a superar aqueles minutos de forma extraordinária. sempre que penso nisso fico imensamente grata. contaram piadas, deram-me festinhas e palavras de incentivo, agarram-me na mão e massajaram as costas, apoiaram o marido. foram mais que cinco estrelas! obrigada, obrigada, obrigada.

já estamos em casa há quase quatro semanas, tem corrido tudo bem, o rapaz está a crescer a olhos vistos e é genericamente sossegado. o bezerro maior olha para ele com olhos de mel, quer dar beijinhos e faz-lhe muitas festas. 

nós? nós adormecemos no sofá antes das 22h. está tudo dito.

4/52


"a portrait of my children, once a week, every week, in 2015."
joão: em brincadeiras num playdate com a mãe


"a portrait of my children, once a week, every week, in 2015."

francisco: em modo zen depois do banho. 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

2 a zero

estou na sala sossegada, já depois de jantar e com a cozinha arrumada e oiço as passadas apressadas, quase saltos, na minha direcção.
rapidamente aparece o joão, com ar de maroto, riso grande.
e não aparece o pai, que o tinha ido deitar. 
o que é que aconteceu? 
ele adormeceu o pai!

esta história repetiu-se no sábado. ele apareceu no quarto, a rir e o pai nem vê-lo.

oh pai, é suposto seres tu a adormecer a criança e não o contrário, vale?

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

é possível? é possível.


é possível ter a família toda  a dormir no mesmo quarto antes das 3h? é possível. 
é possível querer beber leite a essa hora como se fosse de manhã? é possível.
é possível adormecer uma criança de dois anos que teima em ter a luz acessa? é possível.
é possível dar de mamar às escuras? é. com uma criança alapada a nós? sim. e com o pai a dormir na mesma cama, imóvel? sim!!!

às 6h30 o cenário era este: eu a dar de mamar, às escuras (intuição no nível máximo!), a mais velho colado à mim, com um braço algures entre a minha barriga e o bebé e o pai a dormir descansadamente noutro arquipélago. 
a banda sonora rezava assim: um bebé a sugar e chuchar, com pigarrear pelo meio, uma criança a respirar cheia de ranho, tipo panela de escape rota e um pai a respirar muito alto, tipo balão a perder ar. 
isto tudo na escuridão do meu quarto. no 'silêncio' da noite... mesmo assim consegui sentir-me grata por ter estes três rapazes na minha vida.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

noite de samba

mais velho com tosse cavernosa e olhos de gripe demorou uma eternidade a adormecer.
acordou como se fosse manhã por volta das 3h, veio para a nossa cama (obra do pai preguiçoso que se deve ter esquecido que tínhamos um recém-nascido no quarto!), pediu leite, quis ir para a sala e depois de muita conversa e reboliço (continua a querer adormecer em cima de mim), ferrou por volta das 5h30. 
hora em que o mais novo começa a dar sinal. geme, grunhe, estica-se e sossega. passados 5 minutos, repete. isto até acordar mesmo, cheio de fome. 
como mãe extremosa e cuidadora dos seus, levantei-me, peguei no pequeno e vim para a sala dar de mamar.
são 7h30.
os dois maiores ressonam na minha cama quentinha. o pequeno adormeceu aqui no sofá depois de alguma luta e eu estou agarrada ao telefone, que já não vale a pena adormecer a esta hora.
a única dúvida é: vou já tomar banho ou vou comer primeiro...