domingo, 15 de fevereiro de 2015

é o demónio!

hoje à tarde, estando sozinha com os dois valentinos mais pequenos, recorri à um truque sujo. pensei bastante antes de o fazer porque sabia que ia abrir um precedente que me podia custar muito caro mas tinha mesmo que fazer alguma coisa inovadora para entreter o mais velho.

vai daí resolvi pôr a tocar as músicas do 'panda e os caricas'. eu sei que são a principal banda sonora da escola, à quL temos fugido como vampiro de alho ou cigano de sapos. a estética panda e seus amigos é medonha, assim como toda a super máquina furiosa de marketing a ela associada. 
não, não me estou a armar em pretensiosa que só tem brinquedos de madeira, acho mesmo um abuso tremendo toda a chulice deste tipo de bonecos. 

adiante. o miúdo divertir-se, cantou, pulou e escolheu as músicas, 'eta não', 'ôta', 'a taça'.

o problema? passa das duas da manhã e não pára de rodar da minha cabeça :'sou uma taça, uma chaleira, uma colher, um colherão. um prato fundo, um prato raso, sou um garfinho, faca do pão...'. maltidas cantilenas! argh!!!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

a primeira limpeza de roupa

é oficial. esta semana arrumei as primeiras roupas que deixaram de servir. para já são os babygrows mais pequenos, que o tipo está a ficar comprido e já não esticava as pernas.

arrumei, por isso, o primeiro fatinho que o joão vestiu e que foi o segundo que o francisco vestiu numa tentativa de criar uma tradição. se tiver um terceiro filho, este fato será o terceiro que ele irá vestir e o primeiro fato do francisco será o segundo, e por aí adiante. sim, tenho tempo livre para divagar sobre estas coisas. 

mas dizia eu... ao arrumar a roupa, e príncipalmente este fato em particular, fui invadida por uma espécie de nostalgia. será que vou voltar a vestir esta roupa a um filho meu? este fato nunca mais vai ser usado? vou guardá-lo até quando?... 
e dobrei-o com todo o amor que consegui, olhei demoradamente para ele e guardei as boas memórias. 

dois filhos, é este o equilíbrio, para já. 

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

tá certo, é quase carnaval

mais uma noite de forró... 
não berrou, não fez estrilho, nem tão pouco estava possesso. esteve naquele ram-ram de bolçado, ora cospe, ora engasga, ora está de olhos abertos a remoer. tão cansativo! 

são barulhos baixinhos a que o cérebro quase adormecido se habitua e entra em modo ignora-a-ver-se-passa. tenho para mim que isto é pior do que ter um bebé aos berros, porque nessa situação estamos completamente despertos, em modo missão. assim não, o corpo pede cama e almofada, pede quentinho e vamos apagando e acendendo a luz a um ritmo compassado, dizendo asneiras pelo meio, mas conseguindo fechar os olhos 30 segundos. não é pior?

inundou a roupa, as fraldas de pano, os babetes, sempre a sair aquela aguadilha esbranquiçada. já tinham passado mais de duas horas desde que tinha mamado, mas ainda tinha cenas para deitar cá para fora. será que o posso pôr a dormir num daqueles baloiços em que ficam de pé, pendurados? acho que só assim a gravidade conseguia conter o leite que este rapaz ingere. 

e os barulhos... ah, os barulhos são quase tortura. se não é a barriga, é o nariz entupido cheio de ranho ou um pigarrear que vem não sei porquê. o que mais me chateia é que dificilmente consigo dormir durante o dia, é muito raro fazer sestas, o corpo não pede apesar de o puder fazer. hoje como está de chuva vou tentar, leio um livro ou vejo um bocado de televisão enrolada numa manta, a ver se o sono desce sobre mim e consigo, pelo menos, dormitar uma ou duas horas. 

já li mais uns artigos sobre isto e vou tentar pôr em acção um plano de contenção de bolçado, mas quando leio que o auge deste tipo de coisa é aos 4 meses, até fico agoniada. 

ps: já disse ao pai para ir dormir para o outro quarto mas ele mantém-se fiel à sua cama. totó!

domingo, 8 de fevereiro de 2015

fazer a cama

cada vez que faço a cama do joão com lençóis que foram meus ou da minha mãe (!) fico emocionada. e muito grata por ter tido uma avó tão dedicada.
tenho saudades tuas, avó.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

é o que dá ter bebés no inverno

eu sabia, dar de mamar à noite, no inverno, com o quarto gelado, sem pijama de flanela ou polar e com uma fralda húmida no ombro tinha que ter consequências. 

baixou em mim uma constipação potente, com nariz entupido, voz fanhosa e metros cúbicos de ranho a sair. já dei cabo de um rolo inteiro de papel higiénico!!! e tenho as narinas a arder e os olhos vermelhos, chorosos e semi-cerrados. vá lá que não me dói o corpo nem a cabeça e a febre não se avista. espero ficar por aqui e acordar amanhã como nova porque um dia inteiro sem mimar o piolho já é castigo suficiente. 

vá lá que me distraí com o regresso à costura! alguém vai ter roupa nova no verão. 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

o cheiro dos bebés

quando estamos grávidas e começamos a falar do assunto com outras mães há um assunto que vem sempre à baila: o cheiro dos bebés.
todas, sem excepção, deliram com o cheiro dos bebés recém-nascidos ou mesmo dos bebés em geral. todas falam do cheiro suave e quente da pele de bebé, do bafo leitoso que se sente quando se encosta o nariz junto à boca deles, do aroma adocicado nos refegos das pernas ou na curva especial do pescoço. e quando se pega num bebé que acabou de tomar banho? ui, então aí o mulherio derrete-se em suspiros e até sente fraqueza nas pernas. Sim, o cheiro dos bebés é bestial e devia vender-se em frasquinhos para podermos snifar sempre que nos apetecesse... 

isto se os bebés de que estamos a falar não forem os meus bebés. 
como saberão o cocó dos bebés recém-nascidos não tem propriamente cheiro e as quantidades de xixi são tão pequenas que ainda permitem que o dito fique devidamente retido nas fraldas. a crosta láctea nestas minhas criaturas é inexistente por isso também não temos cheiro vindo daí. a roupa deles cheira sempre bem, obrigada amaciador, e a chucha é pouco usada por isso também não acumula cheiros. ainda não usam aqueles bonecos dos quais nunca se separam e que são como um terceiro braço, por isso também não levamos com o cheiro estagnado de um peluche que já foi fofinho e novo e agora é encardido e amorfo. do que é que eu estou a falar, então?

do cheiro a bolçado.
esse cheiro meio azedo, meio fresco, que os meus filhos teimam em manter durante o(s) primeiro(s) mese(s). os gaiatos mamam muito bem, aliás, nasceram ensinados e sempre correu tudo bem no que toca à amamentação, no sentido lato de alimentação e garantia de sobrevivência de um ser vivo minúsculo. estou muito grata por isso. o que me aborrece, não, é mais forte que um aborrecimento, o que me chateia mesmo, que me lixa o juízo e me consome os neurónios é a reacção automática que eles têm assim que são colocados a arrotar após a mamada e que é deitar cá para fora todo o leite que estiveram a sacar da mãe. 

vá, eu sei que não é toooodo o leite, até porque se assim fosse não cresciam a olhos vistos e também sei que é normal isto acontecer dada a imaturidade da válvula que regula a entrada do estômago, a cárdia, e que impede que a comida volte para a boca. também sei que uma pequena colher de café cheia e derramada numa toalha faz estragos, sim, já fiz este teste recomendado pelos pediatras para perceber que a quantidade de leite bolçada pode ser uma ilusão de óptica. e antes que perguntem, sim, já verifiquei que a pega e a posição de amamentar estão correctas e dormem numa cama inclinada.

não sei porque é que isto acontece, sei que vai melhorando com os dias, vá, com as semanas e meses, mas que fico com nervos fico. é roupa molhada, é babete ensopado, é mais uma fralda para lavar e é, muitas vezes, um fio de leite a escorrer pelo meu peito até à barriga. o que é sempre agradável, principalmente no inverno! quem te manda ter filhos no inverno, pá?

eu até gosto de natas azedas e de queijo fresco (que é como o pai chama ao bolçado mais denso que às vezes aparece), mas prefiro tê-los no meu prato e não na minha roupa! e gostava muito de puder cheirar os meus filhos à vontade, com aquele ar enamorado e derretido, sempre que me apetecesse, sem me deparar com um pijama húmido ou um babete cheio de manchas amarelas. 

os putos até são fixes, dormem bem, comem bem e são calminhos, mas podiam ter esta cena controlada para a mãe puder sacar-lhes o cheirinho bom a toda a hora e o pai, que nem gosta de queijo, gostar de os pegar ao colo. 

(texto enviado para o blog a mãe é que sabe, numa tentativa maluca de o ver publicado)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

vacina BCG

e ao quarto dia do segundo mês de vida, o bezerro mais novo levou a tão desaparecida vacina BCG, para quem não sabe, da tuberculose. ligaram ontem do centro de saúde a dizer que iam abrir um frasco, que dá para 8 crianças e que tinhamos vaga às 12h15, mas tinhamos mesmo que confirmar a nossa presença para não despediçar produto. sim, sra. enfermeira, claro que vamos, afinal queremos começar a vidinha mais protegidos.

e como é que reagiu, perguntam?
chorou bem e alto, mas tenho a sensação que foi mais por estar despido e imobilizado. ou pelo menos, assim quero acreditar, porque não foi agradável ver uma agulha longa e fininha a entrar no braço esquerdo do rapaz, em movimentos semelhantes ao de uma costureira a alinhavar bainhas. 
para compensar a malvadez, dei-lhe de mamar logo de seguida e o rapaz já nem se lembrava do que tinha acontecido.

a esta hora continua a dormir, por isso suponho que não lhe doi o braço e está quentinho.