segunda-feira, 8 de junho de 2015

mudar de casa #2

aos poucos a coisa compõe-se.
valeu o dálmata ter ido passar o fim-de-semana a casa dos avós, o pai ter ido ao algarve em trabalho, a mãe ter ido de passeio, estar um calor de morte e toda a gente na praia, para aqui a je se enfiar na casa nova a arrumar caixotes como se não houvesse amanhã.

e olhem que rendeu bem o dia de sábado e a manhã de domingo.
o quarto dos miúdos ficou quase pronto, o nosso está pronto, a sala ganha forma e bom, o escritório é um aglomerado de caixotes-que-não-me-apetece-arrumar-agora. a cozinha também precisa de uns retoques mas já tem alguma forma. está mais bagunçada mas vai ao sítio.

temos feito algumas visitas ao ikea, parece que há sempre mais qualquer tralha para acrescentar à lista e saímos de lá sempre com mil coisas. xiça!

como vem sendo hábito tenho feito um esforço para destralhar a casa, a vida em geral e as roupas em particular. nesta mudança já vão mais uns quantos sacos de roupa rumo aos contentores de recolha que agora estão muito na moda em várias juntas de freguesia. mantenho a máxima do 'se não usas há mais de um ano é porque não te faz falta', com a devida excepção à roupa de cerimónia/festa, claro. assim, tenho tornado o meu guarda-roupa bem mais simples e na hora de escolher a roupa é uma benção. a verdade é que também tenho mudado um pouco o estilo, mais simples e básico, mais liso e menos estampados. tudo para facilitar...
então em sapatos, nem se fala, a mãe tem saído a ganhar. cada vez que mexo nas caixas de sapatos lá vão mais um ou dois pares daqui para fora. e não são repostos por outros, que orgulho!

bem, gosto muito de estar em casa da minha mãe. há quinze anos atrás tinha dado tudo para ficar um fim-de-semana nesta casa sozinha - que nostalgia ao lembrar-me como negociavamos o tempo home alone. mas quero ir para a 'cája nova', como diz d.joão I.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

mudar de casa #1

acham que um filho é um teste a uma relação? 
experimentem mudar de casa.
experimentem mudar de casa com uma criança com dois anos e meio + varicela e com um bebé de cinco meses. 
experimentem mudar de casa com uma criança com dois anos e meio + varicela e com um bebé de cinco meses e o pai com trabalho fora.
experimentem. 

quinta-feira, 4 de junho de 2015

varicela



pronto, sobreviveu à onda do ano passado, com muita surpresa minha mas este ano não se safou. 
conseguimos ir festejar o dia da criança ao parque, com a escola e os amiguinhos todos - foi tão mas tão giro ver tantas formiguinhas felizes! e o piquenique? foi adorável ver 20 miúdos de dois anos sentados numa manta a comer pãezinhos com salsichas. adorável!.
apareceram duas borbulhas na 2f à noite e eu mantive a esperança que podiam ser de picadas de bichos. foi para a escola na 3f mas em menos de duas horas estava minado e tive que o ir buscar.
ainda tive tempo de aprender alguns truques para sobreviver aos próximos dias e rogar pragas ao sentido oportunista desta varicela. a sacana apareceu na altura certa. NOT!!! já disse que estamos a mudar de casa, ainda temos tudo em caixotes, não temos luz, íamos de férias para a semana, estamos quase a fazer cinco anos de casados, a escola está fechada a próxima semana, o francisco só tem cinco meses e o diogo tem trabalho fora? uau! que bingo! quase o euromilhões!

a minha mãe tem sido incrível, como sempre. estamos acampados em casa dela e tem-se desdobrado em mimos. 

ao terceiro dia, o miúdo parece um dálmata. tem borbulhas em todo o lado, até na língua e nos dedos dos pés. algumas já secaram e não tem nenhuma com mau aspecto. o melhor de tudo? não se coça! como é possível? só pode ser do zovirax xarope que está a tomar. foi uma dica do infantário para minimizar os sintomas. 
confesso que insisti um pouco com a médica do centro de saúde para prescrever isto. disseram que diminui o número de dias de contágio e a comichão. ora se eu quero evitar que o mini apanhe varicela, isto é mais que necessário. a médica disse que normalmente prescrevem isto aos segundos filhos, os de contágio intra-familiar, onde a varicela ataca mesmo em força. 
realmente o pediatra disse que não era para fazer nada, apenas dar ben-u-ron em caso de febre. mas aqui optámos por atacar a varicela com tudo o que pudermos: zovirax+banhos de maizena+muita água+toneladas de mimos+ paletes de paciência + diplomacia em barda. 
vamos ver quanto tempo dura isto.

e vou só ali chorar mais um bocadinho sobre a semana de praia perdida. 

domingo, 31 de maio de 2015

xaudadess

'joão, está tudo bem?', pergunto eu.
ele, com chucha e sobrolho franzido à pai, abana a cabeça e diz que não. 
'então, o que é que está mal?', insisto.
'xaudadess da mãe.', responde e aninha-se ao meu colo.

estar a mudar de casa e deixá-los tanto tempo, chegar derreada e não lhes dar colo, não lhes sentir o calor e o cheiro, não os afogar em beijos porque estou ansiosa e maluca com o que ainda está por fazer, dá nisto. 

também tenho xaudadess vossas. 

hoje dia 31 de maio fechamos a porta da nossa primeira casa de família. foram 8 anos sobretudo felizes, que nos trouxeram dois filhos. naquela casa casámos e nasceram os nossos filhos. hoje quando fechei a porta pela última vez, agradeci. 


terça-feira, 26 de maio de 2015

(quase) 35



o pai está num avião de regresso a casa, vindo da suécia. este ano chega a tempo, o ano passado estava em tóquio ou hong kong, já não sei, e quando chegou quem levou a prenda foi ele - estava grávida!

o mais velho está a adormecer, ainda vai chamando por mim, quase a miar, e disse, antes de ir para a cama, que gostava de mim, do pai e do mano. 

o mais novo já dorme há mais de uma hora na minha cama. fofo sorridente.

eu estou descalça, feliz pelo calor que está, rodeada de caixotes e de uma casa  a ficar descomposta, cansada de empacotar, ansiosa com a mudança, desejosa de ir dar um mergulho no mar.

estou feliz, no fundo, estou e sou muito feliz e não me posso esquecer, nem devo, disto. 

segunda-feira, 18 de maio de 2015

corre corre corre

já por diversas vezes o joão resolveu começar a correr rua abaixo quando estamos mesmo a chegar a casa. sai disparado e eu, como agora carrego o mini no marsúpio, não consigo disparar a correr atrás dele. 
chamo, chamo mais alto e grito e o gaiato não pára, não abranda e continua. 
já lhe disse várias vezes que quando eu o chamo ele tem que parar, olhar para mim e ver o que se passa, ouvir-me. 
quando finalmente chego ao pé dele, só me apetece abaná-lo, sacudi-lo, dar uma palmada, e muitas vezes digo coisas à bruta. fico mesmo assustada e é uma forma de descarregar. 

esta atitude nunca surtiu efeito e cada vez ele corre mais rápido e eu fico mais assustada e o mini anda aos solavancos rua abaixo. 

até que ontem lembrei-me de lhe contar uma história ao deitar sobre um menino chamado joão que fugia da mãe, que ficava muito assustada e triste, apanhava um susto com um carro e pisava cocó. 
ele fez várias perguntas, repetiu a história. 

hoje de manhã acordou a falar nisso, no carro que batia no joão, o que prontamente eu corrigi dizendo que o carro pregava um susto ao joão. depois falou do cocó. e eu reforcei que a mãe fica triste quando isso acontece. 

vou repetir a história para ver se entra naquela cabecinha que não pode desatar a correr desenfreado. o meu coração não aguenta este stress. ou isso ou passa a andar de trela. 

hã?

há uns dias que o joão, quando não percebe o que lhe dizemos, responde com um 'hã?', bem interrogado. 
o que nas horas de ralhetes e pedagogia resulta em vários monossílabos seguidos. isto começou a incomodar-me e hoje ao jantar comecei a dizer 'não se diz hã, é feio. podes dizer 'diz' ou 'não percebi'. 
às tantas eu digo 'hã?', o rapaz estava a falar de boca cheia, outra coisa que tenho que resolver a seguir. 
o que é que d.joão responde prontamente: 'não se diz hã, mãe, é feio'. 
hã?! afinal ele ouve o que eu digo!