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sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

a nossa equipa

I know that my work makes me a better mother and vice versa. Mindfulness is what I try to achieve in all the different aspects of my life. I try not to wear too many hats at once, but instead, remove one hat before putting on another. Trying to avoid the overlapping of all the aspects of life is almost impossible, but I find the key is to focus attention on what is the most pressing. When I feel pressured or pulled in many directions, I always ask myself what would matter most in five years. 
Christine Alcalay, mother to Thy-Lan, 13, Simone, 8, and Liem, 2.

 I’ve learned to be more focused when I’m at work and be present when I’m with my kids.
Anine Bing, mother to 5-year-old daughter Bianca and 3-year-old son Benjamin.

 But every day I get up and try to do the best I can.
Mo Clancy, mother to 7-year-old son Magellan

“I make a conscious decision to balance my time. When I’m home with the kids, my phone is away and my laptop is closed so I can really be present.”
Jenni Kayne, mother to Tanner and Ripley.

I learned that fear holds us back and that ultimately following our heart, we are always taken care of. It’s just about finding the right balance, budget, where we focus our energy, and what it is that truly makes us happy. I feel I have. As soon as I surrendered and trusted, things seem to fall into place. I certainly still have growth and challenges, it’s an ongoing process. But it’s all a part of growth and worth it.”
Angela Lindvall, mother to 14-year-old son Dakota and 11-year-old son Sebastian.

I try to embrace what each day brings. Some days I’m fully present, others I can’t get anything done. I no longer have any expectations and just roll with it. I find comfort and balance in that.”
Amanda Chantal Bacon, mother to 5-year-old son Rohan.


depois da manhã de hoje resolvi agarrar neste artigo que estava guardado há uns dias. confesso que é um tema que me interessa mas ao mesmo tempo um que não me diz muito, contraditório eu sei. mas eu explico: por um lado interessa-me saber como os pais fazem para organizar a vida familiar, como são os dias, as rotinas, as boleias, as comidas. há sempre truques e dicas úteis. por outro lado, acho que temos uma boa equipa montada  lá em casa e na grande maioria dos dias corre tudo bem. quase, quase que podia dizer todos os dias, mas é óbvio que há dias em que a coisa descamba, eles não tomam banho, a comida é comprada feita e adormeço com eles na cama. e o que interessa, no fim, é que estamos juntos e amanhã é diferente. 

hoje de manhã foi um desses episódios menos fixes. tive que mandar o pai seguir com o mais novo para a escola, que, by the way, foi escolher sozinho, à gaveta, o gorro que queria levar, disse-me um adeus fofinho à porta do elevador e lá foi feliz da vida. dizia eu, tive que mandar o pai avançar porque o joão estava em transe. birra monumental, por tudo e por nada: porque a manga da camisola estava a sair para fora da manga do casaco, porque queria levar dezenas de brinquedos e tralhas para a escola, porque queria bolachas, porque não queria leite nem iogurtes, porque não queria ir à escola. tudo, mas tudo serviu de pretexto para bater com os pés, para gritar e para chorar. e se eu consegui manter a calma a maior parte da cena, lembro-me que cheguei a dizer (em desespero de causa) que ele parecia uma miúda a guinchar. eu, que tento sempre não fazer juízos baseados no género, euzinha. caramba, aquilo saiu feio, mas saiu depressa e foi irracional... tal era o desespero. estou de certo modo descansada, e orgulhosa, posso dizê-lo abertamente, por não me ter passado, por não lhe ter dado nenhuma palmada, apenas um ligeiro apertão para lhe exigir que parasse de gritar no átrio do elevador. mandei o pai embora e entrámos novamente em casa. poisei a carteira e os sacos e inspirei fundo, bem fundo. estava tentar perceber o que é que aquele miúdo, o meu filho de 4 anos me queria dizer com estes gritos, estes pontapés, este desespero. não percebi, mas conseguimos sair de casa passado pouco tempo, mais calmos, com um iogurte líquido e uma palhinha, ainda ia havendo drama porque não tinha tirado a tampa toda do iogurte, mas chegamos ao carro. o caminho para a escola foi quase todo em modo-amuado mas depois saquei de mais um truque e chegou entusiasmado e a rir-se à escola. valha-nos os cd's de boa música e as brincadeiras-cumplicidades parvas e só nossas. 


comentei com a professora brevemente que ele anda zangado e que se irrita-me muito facilmente e ela confirmou que também já notou isso. temos reunião na 2ªfeira e vamos falar sobre estes episódios. somos uma boa equipa também e isso dá-me muita segurança e certezas. 

agora vamos animar que é 6ªfeira, há jantar fora logo à noite, com amigos num sítio da moda e temos dois dias inteiros para a equipa melhor de todas - a nossa. 

terça-feira, 5 de abril de 2016

de onde é que isto veio...

ontem gritei para o joão como não me lembro de alguma vez ter gritado para alguém.

eu sabia que o grito, aquela angústia, não era para ele. era o meu interior mais profundo a pedir colo e a maneira que encontrou foi expulsar a má energia na cara do me filho. 
ele tremeu e eu fiquei a sentir-me melhor... no imediato. mas hoje não consigo pensar noutra coisa se não na cara dele a olhar para mim, a expressão a tremer. 

à hora de almoço li um post sobre slow living e pensei que fazia e faz todo o sentido. a par do não falar sobre dinheiro é uma das coisas que tento praticar no meu dia-a-dia. e depois, chego a casa sozinha, com jantar e tudo por fazer, pai atrasado, dia cinzento e chuvoso, cama por fazer, roupa amontoada no chão do meu quarto, filhos carentes a pedir colo, o novo horário a pesar nas costas (já falarei disso noutro dia), a vontade de desligar, brincar com eles, dar-lhes banho para ficarem a cheirar bem e irmos jantar todos felizes, joão a demorar mais de uma hora (sim, U.M.A hora para comer a sopa), francisco a chorar com fome e atolado em sono... tudo isto e eu a precisar de um abraço, de uma mão no ombro a dizer que vai correr tudo bem...

fiquei amuada, triste e também zangada. 

ele acabou por fazer xixi na nossa cama às 3h34. é a resposta biológica ao que não consegue expressar.

depois recebi um email da boss  com o manifesto 'berra-me baixo'. reenviei-o ao pai que me respondeu com uma declaração de amor à nossa família. e, assim, sem mais, tudo voltou a fazer sentido.

domingo, 1 de novembro de 2015

a lista podia continuar mas ainda bem que o dia acabou



+ xixi na cama 
+ xixi no sofá
+ empurrou o F fora da cama
+ xixi no carro
+ comeu um lápis
+ riscou o sofá

sim, foi tudo no mesmo dia.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

afinal ele não se esqueceu

depois de duas noites de (quase) inferno, heis que o mini me lembra que sabe dormir a noite toda, mais precisamente 10 horas.
foi preciso demorar duas horas a adormecê-lo no sábado e acordar duas vezes aos berros na noite seguinte, para o pequeno ditador mostrar que pode ter noites descansadas e seguidas de sono e que a mãe não precisa de dizer palavrões só porque não o consegue sossegar. 

a sério que estava a ficar preocupada com a intensidade de berros e agitação que ele desmontou nestas noites. no sábado só se acalmou na casa de banho!
depois de ir tirar ideias ao pediatra dos dinossauros e das cobras, ontem enchi-me de boa vontade e adormeci-o na cama dele, sem colo e sem mama. demorou mas foi. e o pirralho só acordou hoje às 6h. e eu não me importei de acordar a essa hora. verdade que não.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

três em um

um dia, três situações deliciosas.
isto aconteceu tudo no mesmo dia, há cerca de três semanas.

 + pilhas da televisão
queria ver desenhos animado, como sempre ao final do dia. resolvi inovar e disse que a televisão estava estragada, sem pilhas. aceitou e foi brincar.
mesmo antes de jantar, enquanto andava atarefada a preparar tudo, resolvi que a televisão já tinha pilhas para funcionar. disse-lhe, depois de mais um pedido, e ele abraçou-se a mim e disse 'obrigada, mãe, obrigada.' e começou aos pulos, feliz da vida.

+ praia na banheira
ultimamente quer tomar banho na banheira do irmão, a mesma banheira cor-de-laranja onde eu e os meus irmãos tomámos banho. tenho deixado que fique entretido a brincar e fico atenta aos barulhos e às conversas com os animais e os barcos. 
estava na cozinha a preparar o jantar quando deixei de o ouvir. fui, confesso que um pouco aflita, ver o que se passava. chego à casa-de-banho e apanho-o deitado na dita banheira, submerso quase na totalidade, de barriga para cima, pernas encolhidas e olhos fechados.
- 'joão, o que estás a fazer?
- estou na praia, mãe. podes ir.'

+ bolo em vez da chucha
fizémos um bolo para ele levar para o piquenique da escola. quis comer mais bolo antes de jantar e eu disse-lhe claramente que não. às tantas a insistência foi tanta que resolvi testá-lo.
- 'joão, se comeres mais bolo agora não vai haver chucha.
- está bem.
- estás a perceber o que estou a dizer?
- sim.
- então, queres o bolo ou a chucha?
- bolho.
- tens a certeza? olha que não há chucha...
- está bem.'
e assim foi, deixei-o comer mais bolo e guardei a chucha.
quando chegou a hora de deitar, perguntou por ela. reagiu logo a chorar e estive mais de 10 minutos a relembrar o que tinhamos combinado. entre lágrimas, só pedia a chucha. custou-lhe muito admitir o que tinha escolhido, mas depois da minha insistência e da pergunta clara, ele acabou por admitir que tinha escolhido a chucha. 
e eu dei-lha. foi tão valente.


e assim tenho aqui um rapaz, decidido e amoroso.
estamos no bom caminho.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

finalmente, alguma paz

senhor dom joão voltou a si e esta casa entrou em modo cruzeiro.

foram precisas mais de quatro semanas para o bezerro atinar com a nova personagem cá de casa, ou melhor, para reposicionar a sua pessoa na nossa família e perceber que gostamos dele da mesma maneira, talvez mais ainda. 

as birras acalmaram, claro que ainda as faz - hello, tem dois anos!- mas são birras diferentes e não são por tudo e por nada. os ritmos foram respostos, já não acorda durante a noite, já não pede tanto colo, mas volta e meia vem para mim de braços abertos e meloso a dizer 'mamã, mamã'. claro que lhe dou o melhor abraço do mundo e digo-lhe ao ouvido que gosto muito dele. 

ensinei-lhe o que lhe repetia todas as noites ao deitar, que gosto dele até à lua. agora pergunto-lhe: 'gosto de ti até onde?' e ele responde 'até à lua. até às estrelas.' sendo que esta última parte foi ele que resolveu acrescentar, o que me diz que sabe mesmo que gosto dele. {suspiro}



quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

irmão mais velho



ao fim de quase quatro semanas de ser mãe de dois filhos, muitas vezes ainda me surpreendo com esta realidade. 
seja porque o joão passa do dia na escola e tenho a casa só para mim e para o bebé, seja porque o bebé é genericamente sossegado e passa muito tempo a dormir e portanto consigo ter tempo a sós com o joão. estes dois factores têm se revelado importantes para a estrutura e sanidade mental desta família e desta casa, já que nos permite gerir melhor cada filho e cada momento do dia.

a prioridade para o mais velho foi e é manter as rotinas: escola, banho, refeições, natação, etc., de forma a minimizar o furacão que pode ser chegar um irmão às nossas vidas. temos conseguido até ir ao parque.
para o mais novo, obviamente que a prioridade é atender às suas necessidades básicas, que nesta fase se resumem a comer, mudar a fralda e dormir, o que tem sido fácil de executar. ou melhor, não há como não o fazer, quando ele tem fome chora, quando tem a fralda suja dá sinal e portanto é uma questão de tratar do assunto rapida e eficazmente de modo a não perturbar os ritmos da restante família. 

de uma maneira geral, o joão tem reagido muito bem ao irmão, pergunta por ele, quer vê-lo e mexer-lhe, dar beijinhos e festinhas e fica muito preocupado quando o ouve chorar, vai logo a correr buscar a chucha e o ó-ó. tem curiosidade em vê-lo mamar e dormir e ajuda a dar banho. até aqui tudo bem, excepto estar constipado e já ter passado o bicho do ranho ao pequeno. faz parte...adiante.

o que não está a correr tão bem é a relação dele connosco. a postura desafiadora ou frustrada que assume quando é contrariado. o choro sonoro e com lágrimas gordas a cair, os pesadelos, as noites cortadas a meio, o peso morto quando lhe queremos pegar, as fugas quando o queremos vestir. tem sido cansativo falar com ele, negociar, repetir as coisas dez, vinte, trinta vezes, e mesmo assim ele chora e grita e esperneia. 
às vezes consigo fazer com que me oiça, consigo acalmá-lo. outras vezes não e só me dá vontade de estrafegá-lo. nestas vezes começo por usar a força, em jeito de birra minha, mas rapidamente percebo que é escusado, que assim não vai funcionar. lá volto/voltamos à conversa, ao estado zen. afinal, somos nós os adultos. confesso aqui que temos contado até dez várias vezes, que nos tem apetecido dar-lhe umas palmadas e que o tom de voz sobe. é inevitável, ainda estamos verdes nesta coisa de gerir uma criança de dois anos, que ainda por cima tem um irmão bebé. oh, sorte macaca, pensará ele! 

quer eu, quer o pai, temos noção de como queremos lidar com estas situações. e temos sido uma grande ajuda um para o outro, dando apoio nas situações mais desafiantes. tem sido muito bom fazer este caminho a dois, sem dúvida. estamos a aprender muito.

a educadora diz que é perfeitamente normal o que está a acontecer e que faz parte, não só as birras e provocações, como também o pedir mais colo e estar mais inseguro. pois está bem, mas é cansativo. de repente, o filho bem disposto e descontraído fica possuído e atira-se para o chão em transe. não é nada fixe!
tenho mesmo é que pensar que é uma fase onde é preciso escolher bem as batalhas para se ganhar a guerra. defender com unhas e dentes os valores e regras que entendermos como importantes e, se calhar, relevar noutros aspectos menos preciosos. assim gerimos a energia de forma sustentável e responsável, temos menos stress e conseguimos sobreviver ao inverno. 




segunda-feira, 22 de setembro de 2014

como tenho gerido as birras

já sei que os dois anos são assustadores, já sei que fazem birras e esperneiam e batem o pé e levantam a mão. e fazem caretas e reviram os olhos.
o que eu também sei e tento nunca me esquecer é que é tudo frustração e que o adulto sou eu. 
ok, e conto até dez, quando consigo, quando não consigo fico-me pelo três e tento dar a volta à situação.
o que mais me custa é contrariar a minha cabeça, que diz para o tratar como pessoa mais velha e instruída, que me diz para o pôr de castigo, para o mandar para o quarto pensar na vida. e de repente lá vem o velho instinto de levantar a mão e fazê-la aterrar num rabo que eu cá sei. contrariar a vontade de usar a força que ainda é maior que a dele para o obrigara a fazer o que eu quero, como seja, por exemplo, sentar-se na cadeira no carro quando parece que esta tem picos.
e assim andamos com birras mais ou menos teatrais, que consigo mais ou menos controlar, com muito paleio, muita conversa e consolo. fico orgulhosa quando resulta mas confesso já que é difícil funcionar assim e que dá muito trabalho.

só ainda não sei como lidar quando ele me levanta a mão para me bater. repreendo-o? a vontade primitiva é de lhe fazer o mesmo, tal como o truque para as mordidelas, mas não me parece que seja o mais adequado. sugestões?

quinta-feira, 10 de julho de 2014

em início de modo férias

finalmente ao fim de um mês e meio fui buscar a máquina fotográfica, que estava para arranjar. que ressaca de fotografias! perdi o hábito de fotografar com o telefone pelo que estas últimas semanas ficaram 'esquecidas' no que toca a registos de imagem. prometo compensar agora nas férias. SIM! estou de férias, amanhã entraremos todos de férias. olé!

o que, ao princípio, pareciam três semanas idílicas transformaram-se em duas e meia para mim e duas para os rapazes. e sabe mesmo bem estar por lisboa sozinha, eu comigo mesma. tenho ido a muitos sítios que adoro, fazer coisas minhas e para mim e sabe pela vida. 

sábado rumamos à praia da minha vida, que orgulhosamente já posso chamar de a praia das nossas vidas. estou desejando, sonhando e contando todos e cada um dos minutos.

entretanto o rapaz mais pequeno anda pela escola em modo colónia de férias, não vão à praia mas têm piscina duas vezes por semana montada no pátio. é o que se arranja e eles adoram. segundo a educadora anda muito ajudante-do-pai-natal: distribui babetes, colheres, ajuda os outros meninos, faz companhia no bacio. e assim anda distraído e sem birras.
aliás, eu já tinha percebido que é um óptimo truque para o ter em modo cruzeiro, sem birras e pés a bater no chão. dou-lhe tarefas. vai buscar os sapatos, põe isto ali, põe aqui. vai ajudando e está entretido. às vezes é preciso imaginação mas já percebi que ele consegue fazer mais coisas do que eu julgava e por isso temos sido uma boa equipa.


quinta-feira, 24 de abril de 2014

noites maléficas

anda chato para adormecer e dormir em geral.
 
faz birra quando o deitamos, apesar de estar de olhos fechados e cheio de sono ao nosso colo. põe-se de pé na cama e chora a bom chorar. um choro que é de birra, claramente. é forçado.
estas andanças faz com que adormeça bem mais tarde do que o costume. quando se cala ainda fica acordado muito tempo, queito e calado na cama, ou então em lengalengas, a brincar com a luz ou com os bonecos.
este truque já me enganou várias vezes. vou ao quarto buscar qualquer coisa ou simplesmente tapá-lo, ele quieto que nem um rato, e pimba, de repente mexe-se, abre os olhos e começa tudo outra vez.
 
também tem acordado durante a noite. e fica mais de uma hora a chorar, acordado, a querer começar a vida, não quer água, não quer chucha, não está molhado, não se cala. a custo, lá adormece depois do leite. no outro dia estivemos deitados mais de uma hora, eu adormeci e achei que ele também, mas vim a descobrir que estava enganada.
 
isto tem um problema. o facto de ele não estar habituado a dormir na nossa cama, ou até mesmo adormcer ao colo. nestas alturas, revela-se um ideal traiçoeiro. ele não sabe o que é bom, dormir com os pais, no quentinho do amor (manias de mãe decidida) e depois é um suplício adormecê-lo às 4h00. no outro dia, adormeceu em cima de mim, numa posição esquisita, como se tivesse tropecado em mim ou estivesse a tentar trepar.
 
o pai tem sido muito prestável, pondo em prática a nossa combinação do 'de noite vais tu, porque adormeces mais depressa'. obrigada, marido.
 
eu, como tenho muitas horas de sono em reservas, ainda não me ressenti, mas para quem está habituada a ter noites mais que santas, estas interrupções de sono são maléficas. mesmo quando se tem em mente que tudo é só uma fase.

terça-feira, 15 de abril de 2014

15/52 + vamos falar de birras

o passeio de domingo (isto é tão 80's) foi um teste à minha paciência, mas principalmente à minha capacidade e habilidade maternal. 
uma mistura explosiva de calor, ar livre, água fresca nos lagos, sesta por dormir, relva e criançada a correr, e ainda um almoço mal almoçado - sopa, torradas e batatas fitas contam?
das poucas coisas que correram bem foi o facto de ter estado sempre com o chapéu posto, estranhamente não o quis tirar constantemente. 
quando percebi que estava a ficar impaciente saí do restaurante. quando percebi que estava rabujas, deixei-o correr à solta na relva e trepar por todo o lado, deixei-o chapinhar na água e molhar-se à vontade - não bebas essas água, não bebas essa água. despi-o e deixei-o mais à vontade. nem assim. 
queria, porque queria, mergulhar. eu percebo, é aliciante, claro. mas não tinha roupa suplente e confesso que aquela água não inspira confiança para banhos.
às tantas, com os ensinamentos dela a rolar na minha cabeça, peguei nele e saí dali.
as explicações, justificações e negociações já não estavam a funcionar. 
berrou, guinchou, esperneou e quando lhe dei a chucha e o aconcheguei no meu colo deu o sinal: 'tenho muito sono mãe.'
tentei adormece-lo, mas era excitação a mais. em casa teria resultado, ou mesmo num ambiente mais calmo. ali era tudo novo, tinha os amigos, não percebeu o porquê de lhe tirar isso tudo de repente. quase, quase adormeceu.
desisti, sem berrar, sem bater. sentei-o no carrinho e fui-me embora. amuou como nunca tinha visto. fez cara fechada, zangado e de sobrolho franzido. sem abrir a boca, sem refilar uma única sílaba. 
adormeceu em 2 segundos, assim que entrou no carro.


"a portrait of my children, once a week, every week, in 2014."
joão: no pós-birra.

+ era esta a figura do bezerro quando o enfiei no carrinho. 
reparem nas calças arregaçadas, nas mangas dobradas, no peito todo molhado, 
no cabelo transpirado e na cara dele. a cara dele, de zangado, é qualquer coisa de muito especial. 

quarta-feira, 2 de abril de 2014

o jantar

cá em casa as tarefas estão mais ou menos distribuídas. e digo mais ou menos porque nada é estanque, principalmente quando existem filhos. assim, está mais ou menos definido que o pai trata das refeições, eu da roupa e das compras, a empregada das limpezas e do puto tratamos os dois. sem obviamente mas com um naturalmente, eu trato mais do puto, mas o pai tem a enorme tarefa de o arranjar de manhã e levar à escola. e muitas vezes também lhe dá banho. mas não é sobre isto que quero falar, é sobre comida.

o pai deveria tratar das refeições, com base nas minhas sugestões, porque ele é mais do tipo executante do que criativo durante a semana. ora bem, quando temos um filho de 16 meses, que ainda por cima tem uma relação tão apaixonada com a comida, não podemos começar a preparar o jantar às 19h30. a não ser que esse jantar sejam ovos mexidos ou papa!

as vezes que ele, muito carinhosamente, se prontificou a fazer o jantar, e atenção que ultimamente até isto me calha, tem resvalado no tempo. ainda ontem o bezerro começou de repente a chorar de fome e ele pergunta: 'mas o que é que ele tem? magoou-se?'. eu, que estava a dar um jeito à casa-de-banho e às roupas, entrei na cozinha, depois de ouvir um monólogo de pai-filho durante quase dois minutos, e dei-lhe uma papa de fruta para ele se entreter. o que é que aconteceu?
o puto calou-se instantaneamente e o pai ficou incrédulo a olhar para mim, dizendo' porque é que não estás a aquecer a sopa dele? eu estou a olhar para o puré, não posso fazer tudo.'.

pois, está bem. e eu posso.

sábado, 4 de janeiro de 2014

um grande teste

foi-se deitar à hora normal, depois se ter jantado bem. fez uma mini birra violenta, o costume agora, estes dias em casa estragaram um bocado às rotinas do descanso. berrou bem alto, como nunca tinha ouvido, mas calou-se em menos de dois minutos. adormeceu, novamente, à muçulmano, como se estivesse a rezar a meca.

passadas 4h, quando lhe fui dar um beijo antes de ir dormir, apanhei-o acordado de gatas - tinha lá estado o pai... humf!
tentei adormecê-lo durante duas horas, porque me comprometi a não levá-lo para a nossa cama o que estava a acontecer muito frequentemente. decidida vesti o robe e fiquei de plantão no quarto dele. sentado, deitado, de pé, a balançar, quieta, a embalar, tapado, destapado, com boneco, sem boneco, com luz, sem luz... eu tentei todas as posições e combinações possíveis. o sacana esteve adormecido algumas vezes, caído redondo nos meus braços, mas sonso como é, qualquer barulho ou movimento milimétrico e abria logo os faróis! 
às tantas, passei-me (#1) e mudei a fralda e dei-lhe leite. acordei mais a fera que só dizia olá e se ria para mim.
voltei a passar-me (#2) e fui para o quarto... sem ele. deixei-o a chorar na cama, apesar de serem 3h da manhã!!!
mais um passanço (#3) dada a choradeira e fui buscá-lo para a nossa cama. achei - bambi!- que ele ia adormecer porque era o que queria. hã, hã. rebola e vira e ri e brinca no escuro sozinho, sem parar quieto. aguentei meia hora, talvez, a bufar! 
fui em flecha à cozinha buscar mais leite (#5), luz fechada e chucha pronta. nada! o puto estava realmente em delírio! não parou quieto e apesar de apresentar sinais de sono não cedia nada.
tentei manter a calma mas eram 4h! fui pô-lo na cama dele (#6), decidida a deixá-lo chorar tudo o que houvesse para chorar. chorou, berrou, soluçou e gemeu. e eu a pensar nos vizinhos. o pai respondeu, à bruta:'deixa-o chorar até às 9h da manhã!'. vontade não me faltou mas àquela hora, e neste prédio onde se houve a tosse dos vizinhos e as suas idas à casa de banho, ter um bebé a chorar às 4h30 da manhã não é católico. sem robe, sem pantufas, com fúria e frio fui até ao quarto dele (#7), acalmar o bezerro. peguei nele ao colo, com alguma raiva misturada com desespero, confesso, e chocalhei-o até adormecer. foram menos de 10 minutos. os olhos inchados, o cabelo transpirado e o corpo acabou por ceder. 
senti-o pesado nos meus braços, grande e comprido, tive saudades de um bebé minúsculo, que eu conseguisse acalmar melhor... sigh!
arrastei-me para a cama, com frio e demorei a adormecer... eram quase 5h da manhã...

domingo, 29 de setembro de 2013

discurso de agradecimento em noite de eleições autárquicas

quero agradecer ao meu filho por finalmente ter mostrado o lado mais chato da maternidade. o lado das birras para dormir, dos beicinhos e fitas de cada vez que é deixado em algum local que não seja o colo da mãe, das lágrimas gordas que caem, das sestas ultra-rápidas. o lado de não ouvir nada do que lhe dizemos, de esbracejar enquanto lhe damos sopa, de deitar abaixo todas as molduras que encontra pelo caminho. o lado dos dentes a nascer segundo 'mandam as regras' - leia-se com os sintomas de que toda a gente falava (litros de baba, rabugice e uma pontada de febre). obrigada.
por outro lado, quero também agradecer ao meu 'outro' filho. o da felicidade por gatinhar livremente pela casa toda, o dos olhos grandes quando vê a banheira cheia de água e o das palminhas quando vê comida. o lado dos pulinhos de contente dentro da cama, da alegria ao bater uma caixa contra a outra. e o lado destemido, de quem cai do sofá para cima dos brinquedos e nem faz um ai, de quem dá cabeçadas em quase todos os móveis e se ri e de quem se aguenta de pé só com uma mão armado em carapau de corrida. obrigada.
por último, quero agradecer ao pai do meu filho, o meu marido, por ir trabalhar ao sábado e ao domingo e por ir amanhã uma semana de férias-trabalho. obrigada meu querido por me dares a oportunidade de ser uma super-mamã e superar as minhas capacidades - tenho a certeza que assim será.
muito, muito obrigada aos dois. sem vocês não seria o que sou hoje.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

joana 0 - milka 1

o resultado de ficar um dia em casa com o meu filho doente, sublinhando bem que é o primeiro dia!, é que marchou uma tablete (quase) inteira de milka tuc.
entre choros+birras+rios de ranho, pouco consegui fazer: alguns minutos no computador para pôr leituras em dia e alguma (pouca) arrumação.
agora tenho um bezerro choramingas ali na cama e estou num dilema: não sei se o vá buscar e mimar porque está doente ou se mantenho a regra de adormecer-sozinho. como é a primeira vez que passo por isto, estou com dúvidas se isto é birra de sono ou se é mais alguma coisa. honestamente acho que é 70%-30%, para o lado da birra manhosa de sono. mas os 30% deixam-me alguns remorsos... acho que o vou buscar...
fui!

sábado, 10 de agosto de 2013

meu amor...

estão quase 40graus lá fora, para o teu bem (e o do teu pai) optámos por nos fechar em casa. e tu estás a fazer a maior birra de sempre (uma das maiores vá!) e em vez de dormires rápido para irmos passear, estás a guinchar tipo porco na matança e eu aqui enfiada às escuras a resistir. estou em espirito de missão e por isso estou (quase) imune aos teus decibéis, mas, meu amor, despacha isso, adormece que eu prometo que vamos passear e apanhar ar e andar na vadiagem como tu gostas. 
o que te (me) safa é que tenho o congelador a descongelar e por isso é mais um motivo para estar aqui fechada.
dorme, vá... 

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

3 takes

este fim-de-semana dom joão I resolveu estranhar pessoas. e não foi uma vez ou duas, foram três vezes. ok, tinha acabado de acordar e de repente a casa estava cheia de gente grande e barulhenta e que ele nunca tinha isto. e é verdade que eu, numa de mostrar rapidamente o baby, resolvi entrar logo com ele à grande para o meio da molhada. e sim, nunca tinha tido miúdos a imitarem leões mesmo em cima dele. 
1º take: estranhou um grupo de senhoras a falar esquisito, pensou ele (nota: eram colombianas e portuguesas e outras não sei), todas de óculos escuros e todas a reagir muito à sua chegada. virou-lhes a cara e começou a choramingar e a encolher-se ao meu solo. 
recolhemos-nos um pouco, falámos e demos miminhos e voltámos ao local. sorriu, primeiro a medo e depois descontraiu e andou de colo em colo.
2º take: um miúdo de três ou quatro anos, o leca, também conhecido como tufão-pirata, resolveu imitar leões mesmo em cima da cara dele, enquanto estava sentado na cadeira de papa. hum... not a good ideia.
3º take: um primo mete-se com ele, em modo vou-te-fazer-rir-mas-na-realidade-tu-vais-te-assustar.

foi quase surreal ver a expressão dele a mudar rapidamente para um beicinho choramingas, mas ainda bem que tudo se resolveu rapidamente.

será que a idade lhe está a trazer esquisitices? oh miúdo, tu nem penses!

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

e aos 8 meses

cedi ao encanto da televisão como sossega-putos. teve que ser para conseguir aquecer a sopa sem estar com ele ao colo. era isso ou vê-lo a tentar agarrar um fósforo acesso. 
vai de baby tv enquanto tentei fazer tudo a correr, entre rabugices do bezerro. ele está muito enfegas, muito carente talvez. não sei bem... 
se por um lado só me apetece comê-lo, por outro só quero dois minutos de silêncio. já tinha ouvido falar nestes sentimentos duplos, mas senti-los é bem diferente. 
um dia de cada vez, é mesmo assim.


segunda-feira, 22 de julho de 2013

custa, ai custa

nestes dias de manhãs limpas e quentes, sem vento, mais importante de tudo sem vento, em que só há sestas relâmpagos de meia hora de manhã e meia hora à tarde, em que o nível de enfeguice atinge o auge, não há posição que o aguente ou brinquedo que o sossegue, nestes dias, custa. a praia ali à minha frente e nem o vestido consigo despir. 
há birras para tudo e não há comida ou passeio que o ponha a dormir. 
claro que ao final do dia já estou roxa e mando o marido fazer a corrida diária e vou enfiar-me na varanda a comer. ao menos sempre vejo a praia... 

terça-feira, 28 de maio de 2013

chato

o meu palpite diz que é dos dentes. mas talvez seja porque ainda não encontrei outra explicação. não acho que seja fome nem sono porque é um resmungar arrastado, de quem está incomodado. e o chorar de fome é bem diferente. é em modo fúria do açúcar como diz o pai, é um choro descontraído e bem sonoro, zangado até. o do sono é mais baixinho, mai tipo ladainha. este é diferente. 
é verdade que já temos um dente e aquilo deve doer como tudo, se há pessoa sensível a tudo o que é relacionado com dentes sou eu, que odeio dentistas e fujo deles sempre que posso. 
que ele está chato, está. sempre a choramingar e a chamar por nós. parece que já não sabe estar sozinho. ou então sou eu que sou bruta e insensível.