quarta-feira, 28 de junho de 2017

o tempo não pára

andava a vaguear numa rede social, das raras vezes que lá vou, e reparei num vídeo da mariza com o filho ao colo, num concerto recente em ferreira do alentejo.

a letra é esta:

eu sei
que a vida tem pressa
que tudo aconteça
sem que a gente peça
eu sei

eu sei
que o tempo não pára
o tempo é coisa rara
e a gente só repara
quando ele já passou

não sei se andei depressa demais
mas sei, que algum sorriso eu perdi
vou pedir ao tempo que me dê mais tempo
para olhar para ti
de agora em diante, não serei distante
eu vou estar aqui

cantei
cantei a saudade
da minha cidade
e até com vaidade
cantei
andei pelo mundo fora
e não via a hora
de voltar p'ra ti

não sei se andei depressa demais
mas sei, que algum sorriso eu perdi
vou pedir ao tempo que me dê mais tempo
para olhar para ti
de agora em diante, não serei distante
eu vou estar aqui

não sei se andei depressa demais
mas sei, que algum sorriso eu perdi
vou pedir ao tempo que me dê mais tempo
para olhar para ti
de agora em diante, não serei distante
eu vou estar aqui
mariza - o tempo não pára


o vídeo é este:
https://www.facebook.com/olimpia.limpo/videos/1238436266284237/

e não são precisas palavras, pois não?




segunda-feira, 26 de junho de 2017

animais e outros que tais



popomatamos : hipopótamos
zeba : zebra
pado: leopardo
lulufante : elefante

pancaínha : campainha
mãíí, 'tou a falár cuntigo : mãe, estou a falar contigo
lágamí : larga-me




quarta-feira, 7 de junho de 2017

dentro do carro, ao sair da escola

- mano, não precisas de ser grande. eu estou cá para te proteger.- diz o mais velho para o mais novo, que dizia ser grande também.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

quatro e meio




escrever para não esquecer.

aos quatro anos e meio ele:
+ deixou de dormir a sesta (por decisão unilateral do pai numa manhã de 2ªf , meio à pressa na urgência das entregas matinais e após vários pedidos do miúdo). ao fim de duas semanas o balanço é positivo, adormece mais depressa à noite e acorda mais tarde de manhã. está mais cansado ao final do dia, é notório, chegou a adormecer no carro no regresso a casa e no chão da sala um dia. cresceu mais um bocadinho;
+ começou a ser mais crescido, nas conversas, nas expressões usadas, nos pedidos, tudo é mais crescido;
+ está mais responsável, é frequente ouvi-lo a dar lições de moral ao irmão e a dizer 'não podemos fazer isto, pois não, mãe?' ou 'não é só pedir desculpa, também é conversar.';
+ já sabe tomar banho sozinho mas continua a preferir companhia e brincadeiras nesta hora;
+ veste-se sozinho mas é como o banho, prefere companhia e ajuda;
+ é muito comichoso com as pregas das meias, às vezes tira os sapatos três vezes, num drama enorme, porque a meia está torta e magoa;
+ está sempre a escarafunchar as unhas dos pés;
+ continua enérgico e físico, às vezes faz lembrar aqueles cães patetas que ficam excitadosdemais quando vêem os donos ou uma bola;
+ confundo o amigo tomé com o amigo lucas... pudera eles são mesmo parecidos (loiros e de olhos azuis, os únicos assim);
+ fala muito nos primos - 'os meus pimos' - e pede a toda a hora para ir brincar com eles, mas a maria e o xico continuam a ter um lugar de eleição no seu coração;
+ diz que é do benfica, mas também da frança ou da espanha, depende dos dias. diz que gosta um bocadinho do sporting para a mãe não ficar triste;
+ na escola têm-se dado com os mais velhos e isso nota-se nas atitudes e conversas, além do 'cocó, xixi, pum' da praxe;
+ fica contente e muito feliz com coisas muito simples, como um gelado , uma t-shirt ou uma visita a casa da avó;
+ sente saudades do pai quando ele está fora mais tempo e quer sempre saber onde ele está e com quem;
+ está muito preguiçoso para aprender a andar de bicicleta (sem rodas). em três meses só experimentou duas vezes;
+ adora gelados, sanduíches feitas pelo pai de manhã, cerejas, melancia e bolachas da avó;
+ diz que gosta água com picos (água com gás) - 'já posso beber isto, não posso mãe?';
+ quer ver desenhos animados de crescidos, como power rangers, pokémons e afins e só vê os outros por causa do irmão;
+ fica triste e isolado quando sente que é alvo de injustiça;
+ ainda pede colo.

por muitas guerrilhas que existam no dia-a-dia, é notável vê-lo crescer e ganhar o seu espaço e personalidade. 



sexta-feira, 19 de maio de 2017

19 maio :: 1 ano


há um ano a minha vida mudou para sempre.

querido pai, se soubesses a saudades que eu tenho tuas.
da tua voz do outro lado da linha num qualquer país distante e com falhas de rede, da maneira como falavas com os teus netos, o tom de voz feliz que usavas para os fazer rir. 
as tuas mãos. consigo ver as tuas mãos tão bem, como se lhes tivesse pegado ontem.
sento-me no teu lugar à mesa, na casa que foi tua, porque assumi para mim esse lugar que ninguém quis ocupar, por medo e tremo de cada vez que o faço.
ainda não consegui ir à casa do alentejo, que sei ser o teu sonho.

mas passou um ano e fomos à comporta, a tua praia preferida e onde, ao largo, repousas.

é dura, muito dura a tua ausência. e eu estou triste porque não a resolvi, porque não arrumei as ideias nas gavetas certas e porque (ainda) não chorei a tua perda. fico zangada porque não estás a um telefonema de distância. fico zangada por ser dona legítima de três casas, fico zangada por ter dinheiro no banco e fico zangada por não conseguir ouvir esta música da adele. 

não quero nada disto, quero apenas pegar no telefone e saber que vais atender do outro lado. 

quinta-feira, 11 de maio de 2017

moedinha nº1



«... tenho ideia que num primeiro filhos nós somos sempre piores pais.»

esta entrevista, que adorei ler, deu-me que pensar em relação à minha moedinha nº1.
este miúdo giro que me tira do sério como ninguém, que me faz ser melhor e menos boa, que leva comigo e me atura o mau humor só porque está ali mesmo ao lado e o pai está fora muitas vezes.
este meu amor primeiro e enorme.
e tudo o que ele quer é colo: 'sabes, mãe, podemos fazer como naquela outra noite em que me deste colinho?', perguntou ele ontem, referindo-se à noite anterior em que o deixei ficar mais de meia hora sentado ao meu colo enquanto estava sentada no chão, à beira da cama do irmão para o adormecer. é isto. só isto. colo.
que não estraga, eu já sabia. que não é demais, eu já acreditava pela quantidade de mimo e amor que lhes dou, pelas nódoas na roupa, pelas pedras e areia que trazem nos sapatos, pela facilidade com que se entregam às poças de chuva e de lama e agarram aos paus.

és feliz, tenho a certeza.
e eu contribuo para isso e, mais importante, faço parte disso. não me posso esquecer disto. 


terça-feira, 2 de maio de 2017

tirada #20

francisco ao meu colo, a ver atentamente os sinais do peito e dos braços:
- 'qué ito?'
- são sinais...
- bolinhas...
- sim.
- como o 'leopádo'.
- achas que a mãe é um leopardo? (e faço uma cara provocadora.)
- nah...
e sorri decidido.
- a mãe é uma 'caba'! (aka cabra)
e faz o sorriso mais malandro de sempre.

ps: isto tem um enquadramento - a história das três cabras, a grande, a média e a pequena, que querem atravessar uma ponte onde está um troll.